Cassetete blues
Ricardinho, meu motoscraper de estimação, baixe a lâmina e vem pras minhas rememorações, mergulhar no tempo, nadar rumo ao passado, até a gente lançar âncoras nos largos e praças de São Luís naquele medonho 17 de setembro de 1979. Será que o mundo ainda lembra que dia é hoje? Como diria Bartô Galeno, numa das suas mais doces páginas musicais, “quem bate esquece e quem apanha lembra”. John Faber Castell por certo não lembra ou pelo menos deseja que o mundo inteiro esqueça, mas quem experimentou do cassetete dele ainda carrega as cicatrizes. 17 de setembro é o Dia Estadual do Cassetete e de muito sangue derramado pela meia-passagem. Você já era homem feito, já fazia o tempo tremer com esse gogó de aço que Deus lhe deu, já mirava um assento na tenda do faraó e eu era apenas uma... Uma doidivanas, limpa e pura! Sei de gente que, por realinhamento ideológico para atender demandas de sobrevida, até faz de conta que esqueceu, como a Ceiça Andróide, aquela coitada que até hoje cai quando lembra o murro que tomou no meio da testa seguido de chutes e cassetetadas pelo corpo inteiro. O Julião Idi Amim e a Ti foi outro que viu uma constelação em pleno meio-dia, tamanha foi a porrada no meio daquele rosto que até hoje é de dar dó (ou vocês acham que ele já nasceu feio daquele jeito?). E o Rubem Bruto, que tem aquele tamanhão todo, fez a Deodoro-João Lisboa em cravados 20 segundos, mas depois teve que passar três dias sentado numa bacia com água morna de tanto dar com os calcanhares nos glúteos durante a desabalada carreira. Sei não, Cardinho, mas o Kenard é testemunha. Correr eu não corri, até porque não deu tempo. Enfrentei a tudo de frente, tanto eles batiam como eu apanhava. Fiquei uns dez anos nas mãos do Rui Palhano tentando deletar da memória aquelas cenas que neste dia me voltam com uma impressionante nitidez, muito mais nítidas dos que nas fitas de super 8 do Euclides Moreira Neto. Muito mais doídas do que a dor de ver que uns e outros reverenciam o mesmo cassetete, sem medo de que a memória dos outros por vezes funcione.
E só. Hoje prometi a mim mesma que não tocaria no nome do Edivaldo Holanda Júnior.
Aliás, a coluna de hoje vai pela metade. Estou de TPM.
Cartas na mesa
Sei não, mas a impressão quem dá é a de que Ader$inho das Mercês mal saiu do pano verde, depois de uma daquelas rodadas de 48 horas sem interrupção nem para assaltos, e foi direto se ter com o Sidney Pereira e a Ana Guimarães, na tal rodada de entrevistas do Rômulo Barbosa. Estava assim tão fora de tempo que acabou sendo sincero mais do que deveria. De cara disse que, se eleito for, tratará de “trazer” a corrupção para “níveis aceitáveis”. Agora, aqui pra nós, o que seria um “nível aceitável” de corrupção para quem a vida é um jogo? Levando-se em conta que para ele é aceitável ser da Turma do Zé, é de se concluir que esse nível aí bate nos cem por cento, assim como de cem por cento foi o nível de dragagem de dinheiro público nas estradas fantasmas e de cem por cento seria na lavagem daquela dinheirama toda das cartas-convite.
Já pra roça
Outra do Ader$inho, o Monstro da Lagoa, na mesma sentada foi pra lá de cruel para com as criancinhas. Ele, que tanto se queixa do atraso, falou de modernizar o calendário escolar da zona rural, de tal modo que ia ter um período de férias coincidente com o tempo de arar o chão e enterrar a semente e o outro período de “descanso” exatamente no tempo de colher a safra, que era para a criançada pegar na enxada de sol a sol pelo menos duas vezes por ano. Sabem quem é a vice dele? Uma ex-presidente da Pastoral da Criança. – Sujeito bruto! Desse jeito aí não precisa nem a imprensa especular. O secretário da Infância e do Adolescente dele deverá ser o seu Lunga.
Outra coisa!
De jeito nenhum esse negócio de “Alô Doutor” pra gente consultar o médico pelo telefone. Onde já se viu abrir mão de ser apalpada pelo goianão do Osmir e de morrer de olhar nos olhos do Carlos Humberto ainda que a Khêtêre nunca mais me chame para a testeira do trio do Chiclete com Banana?! Jamais. Comigo é no tradicional.
Tudo a ver
O sujeito nasceu no Beco do Urubu, a mãe é solteira e o pai é o vento. Faz sentido, urubu voa no vento. Vai ver que por isso que ele é “avoado”.
Pajé
E pra sair do atraso, nós agora vamos ter que nos curar com chá da casca de pau e raiz do mato. Nesse caso vamos logo pensando em fechar a faculdade de medicina da Ufma e abrir cursos de pajelança nas reservas dos Krikatis, Guajajaras e Canelas. Pelo que quer nos fazer o filho do vento com mãe solteira, doença por aqui vai voltar a ser epinhela caída, quebranto e mau-oiado. E ainda vem o Peta dizer que o sujeito é um espanto! – E o gardenal dele, pra controlar aquelas contrações e (descontrações) musculares involuntárias? Vai passar a ser raspa de raiz da mirindiba? (cuidado com o efeito colateral!).
Só água
O menino Braide Pitt, aquele que andou presidindo nossa companhia de águas, jura porque jura que, como presidente, acabou com o rodízio do abastecimento de água no centro da cidade. De fato. Antes dele era um dia sim e um dia não de água. No tempo dele era um dia não e o outro dia não também. De tal modo que não tinha mais rodízio.
Dito e feito
E diz que uma bichinha, remanescente da Gayola da Xandra, anda revoltada com a baixaria no horário eleitoral gratuito. Ela revelou a um dos marqueteiros da Pública que mais cedo ou mais tarde vai acabar chupando o pau da barraca.
Chanel
Dona Nice tava com a macaca no comício de quinta-feira em Paço do Lumiar. Ela soltou os cachorros pra cima de um candidato que ela só chama o coitado de suíno. Eu, ali no meio do povo, fiz preces pra que naquela noite Dona Nice não encontrasse o Carlos Brandão pela frente...
Falsárias
Coisa de mulheres despeitadas. É como posso classificar a atitude de algumas socialites de São Luís que andaram espalhando supostas fotos minhas e da EuroManu do jeito que viemos ao mundo. Imagina se eu vou tirar a minha calcinha creme pras lentes obscenas do Rybeyro Júnior. Nunca sem o meu pudor. A montagem é grosseira. Nisso eu ponho a mão no fogo. Por mim e pela EuroManu.
Um a um
E por falar em EuroManu, Cardinho da minh’alma... O Altevy e o Nélson Frota andam disputando agora quem promove mais batizado, almoço de confraternização, jantar dançante, festa de crisma, leilão de gado, reunião de amigos na fazenda... O que um faz o outro quer fazer... no mesmo dia e hora... Fico louca, porque às vezes tenho que sair de casa com dois tubinhos básicos: um pra usar nos eventos do Altevy; outro pra esnobar nas festas do Nelson Frota. Eu, sinceramente, ainda não sei aonde essa gincana vai dar...
Nem morta
O Júlho Nó Ronha quebrou a cara comigo. Pra fazer ciúmes na Paula Tina, o genro do Jaquisson resolveu oferecer, por debaixo dos panos, a bandeira GM da ServePeças pro Xandro Martins... Coitado! Lá em São Paulo o povo da GM não quis nem saber de conversa com o Xandro. Acham ele artificialmente bronzeado demais pra encarar a concorrência do mercado. Resultado: o Julho Nó Ronha caiu do cavalo e teve que engolir o aristocrata Bob Albuquerque, a seco. Bem feito. Como diz a Terezinha do Guaraná, mexe pra ver o que acontece...
Todos os homens da Paula Tina
Gente, eu fico toda suada, da ponta do dedão do pé aos pelinhos do meu carpete, toda vez que passo na banca de revistas do Calhau e lá está um bando de marmanjos devorando o jornal Veja Agora, e justamente na página da Paula Tina... Eles me adoram e me devoram. O Márcio Assub, o Paulo Nagem, o turcão Joaquim Haickel, o Edinho, o Ibrahim, o Zeca Belo, o Flávio Lima, o PH, o gato de barbas do Corrêa, a língua do Décio Sá, a ditadura do Rômulo Barbosa... Todos me comem com os olhos. Pelo menos na foto que ilustra esta página.
