O Ministério Público tomou uma decisão que pode, finalmente, começar a revelar o envolvimento de Alexandra Tavares e seu marido, José Reinaldo Tavares, nas dezenas de denúncias de corrupção e no conseqüente enriquecimento ilícito do casal. Depois que os promotores José Cláudio Cabral Marques, Themis Pacheco Carvalho e Cláudio Guimarães iniciaram as investigações sobre o envolvimento de Alexandra Tavares e, em seguida, foram barrados, temia-se que o caso fosse definitivamente engavetado.
Com um histórico de decisões que adiaram indefinidamente uma ação saneadora contra os atos do governador e sua mulher, o Ministério Público se meteu num emaranhado de acusações que chegaram a provocar desconfiança da sociedade maranhense, principalmente no que se refere à suposta tentativa de livrar José Reinaldo e Alexandra de processos que vão desde o escândalo das estradas fantasmas que lesaram o erário em dezenas de milhões de reais e passam pelas compras superfaturadas de livros e programas de computadores; as acusações contra o casal Tavares chegam aos convênios imorais com fundações criadas por secretários do próprio governador, avançam sobre o escandaloso acordo com a construtora Camargo Correa, que arrombou o erário em mais de 230 milhões de reais e culminam com a fabulosa farra de convênios com instituições fantasmas e cartas-convite distribuídas a políticos inescrupulosos que usam o dinheiro público para financiar a candidatura da trinca reinaldista.
Ao determinar que o processo investigatório, iniciado na Promotoria de Investigação Criminal por José Cláudio Cabral Marques, Themis Pacheco Carvalho e Cláudio Guimarães seja encaminhado à distribuição entre as Promotorias da Probidade, o procurador-geral de Justiça, Francisco das Chagas Barros de Sousa dá um passo decisivo para que a Justiça possa julgar os atos lesivos ao bolso do contribuinte, praticados nos últimos quatro anos pelo casal José Reinaldo e Alexandra Tavares.
Mas essa decisão vai mais longe. Ao confirmar que há indícios para levar adiante a investigação criminal contra os dois, o Ministério Público atinge todos aqueles que se aliaram a José Reinaldo nesse projeto de dilapidação do patrimônio público. Secretários, deputados, prefeitos, vereadores e candidatos de todos os matizes, que participam da aliança reinaldista, vão ser respingados pela lama da corrupção.
Mas os maiores perdedores serão os dois principais candidatos ao Governo do Estado apoiados por José Reinaldo. Um deles, o ex-prefeito Jackson Lago assumiu todos os riscos de envolvimento de seu nome nesse lodaçal ao indicar sua esposa para ocupar uma secretaria estratégica da estrutura de corrupção do governo. Embora não haja provas de seu envolvimento no esquema, terá para sempre seu nome ligado ao governo mais corrupto da história do Maranhão.
Mas quem mais terá a perder com o futuro julgamento de José Reinaldo e sua mulher é o ex-presidente do Superior Tribunal de Justiça, juiz aposentado Edison Vidigal, o candidato mais visível de José Reinaldo. Como ex-magistrado, esperava-se que Vidigal tivesse o bom-senso de se afastar de um corrupto notório. Não só não o fez como passou a utilizar os mesmos instrumentos que José Reinaldo usava para atingir seus objetivos. Embora se diga um homem probo, Vidigal tomou José Reinaldo pelas mãos e saíram, ambos, fazendo uma das mais caras campanhas políticas de que se tem notícia no Maranhão.
Talvez não seja igual a Alexandra, mas o comportamento de Vidigal em relação à probidade administrativa no Maranhão não chega nem perto de quem já ocupou o segundo cargo mais importante na magistratura brasileira.