Em entrevista coletiva aos jornalistas, na manhã de ontem (18), o diretor-geral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Athayde Fontoura Filho, informou que o presidente da Corte, ministro Marco Aurélio, vai solicitar ao procurador-geral da República, Antônio Fernando Souza, que tome as providências necessárias para que sejam investigados e punidos os responsáveis pelo grampo encontrado em telefones de três ministros da instituição.
Durante a coletiva, o diretor-geral destacou que os grampos nos telefones dos ministros configuram uma afronta às instituições democráticas e à República.
Foram detectados grampos nas seguintes linhas telefônicas: em linhas diretas dos ministros Marco Aurélio e Cezar Peluso em seus gabinetes no Supremo Tribunal Federal (STF); e na linha de telefax do gabinete do ministro Marcelo Ribeiro no TSE.
O presidente do TSE também encaminhará um ofício à presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Ellen Gracie, comunicando o ocorrido, já que as escutas foram identificadas em linhas telefônicas de membros da mais alta Corte do país.
Verificações semanais
As varreduras foram feitas pela empresa Fence Consultoria Empresarial Ltda., com sede no Rio de Janeiro, contratada pelo TSE para verificar a segurança das linhas telefônicas de todos os ministros integrantes do Tribunal.
De acordo com o contrato, as varreduras são feitas mensalmente. Mas diante do ocorrido, a partir de agora, as verificações serão feitas semanalmente, até o fim do segundo turno.
A comunicação da identificação das escutas telefônicas foi feita na última sexta-feira (15), por meio do relatório mensal entregue pela empresa ao TSE. Constatou-se que se tratou de um grampo feito por profissionais e não por amadores.
Há nove anos, o Tribunal Superior Eleitoral mantém contrato com empresas especializadas para verificar a segurança das linhas telefônicas. O contrato com a Fence Consultoria é mantido há três anos. De acordo com o contrato, cabe aos ministros integrantes da Corte indicar as linhas telefônicas que devem ser verificadas.