Paralisação
Motoristas e cobradores de ônibus exigem segurança
Como previsto, o sistema de transporte coletivo urbano parou ontem pela manhã, em resposta à onda de seqüestros a ônibus na capital. Um ato de protesto na Praça Deodoro reuniu alguns dos motoristas e cobradores que já foram vítimas de assalto para chamar a atenção da população ao problema vivido pela categoria e pressionar o governo estadual a agir com mais pulso na questão da segurança pública.
José Rodrigues da Silva, presidente do sindicato da categoria, disse que a última reunião com a Secretaria de Segurança Estadual serviu apenas para fazer um balanço das ocorrências de assalto os ônibus. "Foi uma reunião de avaliação em que a Polícia Militar apresentou números que só representam a realidade teoricamente", afirmou o sindicalista.
"Até o dia quatorze de julho foi registrado apenas um assalto com seqüestro. De lá para cá, esse número cresceu, depois da reunião com o secretário Raimundo Marques. Os nossos números divergem dos números da polícia. A questão quantitativa não é o mais importante, pelo contrário, o que mais nos preocupa é a agressão que vem sendo empregada nesses assaltos. O alvo agora são os usuários. Prenderam uma quadrilha, mas isso não é tudo. Muitos outros bandidos agem da mesma forma", argumentou José Rodrigues.
O protesto foi organizado para exigir medidas de segurança urgentes, especialmente nas áreas mais visadas pelos bandidos: Canto da Fabril, Vila Sarney, área Itaqui-Bacanga, BRs, em frente ao CEFET e Alemanha. "O que nós defendemos efetivamente é policiamento ostensivo nesses locais mais visados", completou.
Nas faixas, os rodoviários pediam socorro e afirmavam que os usuários também exigem segurança. José Pereira Santos, de 42 anos, motorista de ônibus urbano, se disse revoltado com o que vem acontecendo: "Se fosse protesto pro aumento de salário, todo o mundo do governo do estado estaria aqui para nos calar. Mas como não é, e eles sabem que estão errados, não aparecem".
A paralisação gerou uma fila de ônibus que se estendeu da Deodoro até o João Paulo. Nas principais avenidas da capital, multidões caminhavam a pé para todos os lados. A mudança nas táticas adotadas pela Polícia Militar foi um dos pontos mais falados durante o protesto. De segunda a sexta-feira, a PM habitualmente fazia blitze na BR, da entrada da Vila Itamar, às dezoito horas, no quilômetro zero.
Porém, essa estratégia não deu certo, já que as áreas de maior ocorrência de assaltos estavam longe dali. "Havia um problema de jurisdição, porque a BR é área federal. Conseguimos autorização da Polícia Rodoviária para que a PM fizesse blitze em toda a extensão da BR e agora queremos que a área em frente à Vila Sarney seja policiada", enfatizou José Rodrigues.
A paralisação começou por volta de oito e meia da manhã e terminou às 10h, com a adesão de toda a categoria, que apoiou firmemente a idéia. "Eu fui assaltado três vezes, sendo duas num intervalo de vinte e oito dias, todas com coação por arma branca. Os nervos ficam em frangalhos, essa é a maior agressão, a psicológica", avaliou o motorista Francisco de Assis Freitas Silva, de 48 anos.
"Em uma delas, na Vila Sarney, por volta das 19h, o assaltante antes de subir ajudou um senhor a descer, para eliminar suspeitas. Na outra, o primeiro bandido subiu no Terminal da Integração da Praia Grande. O segundo, em frente ao Hospital da Criança, na Alemanha. No Elevado Alcione Nazaré, eles anunciaram o assalto, colocaram um facão no meu peito e recolheram tudo dos usuários, tinha cerca de sessenta pessoas no carro. Os usuários são os alvos agora. Os assaltantes até pagam passagem para evitar que a gente desconfie", contou Francisco.