Apesar de milhares de passageiros interromperem suas viagens por conta da paralisação, o protesto dos rodoviários convenceu boa parte da população da capital. Ao longo das principais avenidas, grandes filas de pessoas em marcha para o trabalho, para as compras, etc eram observadas. Na Rua Grande, algumas lojas permaneceram fechadas até 10h, já prevendo a falta de consumidores.
Na ponte do São Francisco, as vias de pedestres estavam lotadas. Mesmo assim, nas ruas, as pessoas comentavam a atitude dos rodoviários, em geral dando-lhes razão. "É ruim ficar pelo meio do caminho, mas eu não sou contra a esse protesto. Eles estão no direito de reivindicar os direitos deles, que nesse caso também é um direito nosso. Todos nós precisamos de segurança", comentou Josélia Pacheco Penha, de 43 anos.
Alguns reclamavam de terem sido obrigados a descer dos carros ainda na metade do trajeto, mas ninguém pôde negar que a paralisação foi anunciada com antecedência. "Eu não sei como reagiria se fosse assaltado. É preciso mesmo que se faça algo para chamar a atenção das autoridades. Os empresários não se importam com essa questão, as leis são muito brandas e os responsáveis pela segurança do estado são muito lentos. É claro que estou de acordo, às vezes é necessário tomar uma atitude como essa", analisou Noenilson Laeston Veloso Lindoso, que desceu do ônibus no Monte Castelo e pôs-se a caminhar até o Centro.
Revoltados com a prática abusiva dos empresários de ônibus que obrigam os cobradores a pagar o que foi levado no assalto, alguns rodoviários que não quiseram se identificar contaram que as vítimas sofrem ameaças de demissão caso não aceitem arcar com o prejuízo. Isso gerou ainda mais indignação na população, que se posicionou contra a exploração dos trabalhadores. "A culpa é desse governador irresponsável. O povo vive com medo", afirmou José Carlos Santiago, autônomo, de 45 anos.