O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse domingo que o Brasil ficou “extremamente desapontado” com o plano de reforma do Fundo Monetário Internacional (FMI), que será votado hoje.
“Ficamos frustrados a ponto de não podermos endossar aqueles termos, e ter que votar contra a aprovação da resolução”, disse Mantega, em entrevista com jornalistas brasileiros em Cingapura, noticiou a BBC online.
O Brasil endossou uma crítica feita por Índia, Argentina e Egito ao projeto de reforma para ampliar a voz dos países emergentes na instituição.
O Brasil quer discutir a ampliação imediatamente. Pelo projeto atual, apenas China, Coréia do Sul, Turquia e México terão suas cotas elevadas imediatamente. Seria necessária outra discussão para decidir novos aumentos.
“(O projeto) poderá terminar por aumentar ainda mais a já ampla maioria detida pelas economias avançadas, e elevar a participação de um pequeno grupo de países emergentes, em detrimento da participação de outros países em desenvolvimento”, disse o ministro.
Para ser aprovada, a proposta de reforma em duas etapas precisa obter 85% dos votos dos 184 integrantes do FMI.
A reforma no sistema de cotas do FMI vem sendo alardeada como um dos grandes temas a dominar a reunião anual do Fundo, hoje e amanhã.
O peso dos votos de cada país no FMI é determinado por sua cota ou compromisso financeiro com o Fundo. Os Estados Unidos têm cerca de 17% do total de votos, o Japão conta com 6,1% e a Argentina com 0,99%.
A Índia, o Brasil, a Argentina e o Egito têm juntos apenas 3,78% do total de votos.
Os países emergentes querem mais voz no FMI porque consideram que o atual sistema lhes dá pouco poder de convencimento em relação às economias mais avançadas do globo.
Mantega defendeu uma reforma que mantenha como alicerce o tamanho da economia, mas que “impeça que as já expressivas quotas das maiores economias avençadas aumentem ainda mais”.