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DIREITO DE RESPOSTA CONCEDIDO PELO TRE - Vidigal repudia acusação de que fraudou imagem de Lula



Data de Publicação: 2 de setembro de 2006
 
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Direito de resposta de Edison Vidigal
Cada um tem sua história de vida e quanto à minha eu nunca tive do que me envergonhar. Só fico triste que alguns aspectos, para os quais em nada contribuí, nem poderia, sejam explorados em desrespeito a pessoas cujas feridas, entre si, o tempo - eterno senhor da razão - cuidou de cicatrizar.

Imagine o sertão do Maranhão na primeira metade do último século, Caxias cidade próspera, conservadora, famílias enfatuadas pela fortuna, reféns do preconceito, e, nesse cenário, um jovem herdeiro e dependente emocional e financeiramente dos pais, tanto que sempre morou na casa deles, se apaixonando por uma linda sertaneja, menor de idade, de poucas letras, nascida em Canto do Buriti, no Piauí.

A cidade inteira, pequena então, provinciana demais, ficou sabendo do romance do filho mais novo do velho Trindade Vidigal, um dos homens mais ricos à época, com a cabocla, mestiça, a Maria Helena, esguia, cabelos soltos à cintura, suave e valente. Não foi só o velho Trindade, outros da família também cuidaram de segurar o jovem apaixonado por aquela que mais parecia uma índia. Uma hora ouviu a ameaça - seria deserdado, seria mandado embora da cidade, se continuasse o romance. Àquela altura, Maria Helena já engravidara. A ameaça potencializou-se. Se a criança nascer, os sinos da igreja dobrarão sinalizando a morte do pai. Ele não será mais herdeiro do velho Trindade.

Minha mãe foi instada pela polícia a deixar a cidade. Ela saiu, sumiu e eu nasci de parto prematuro. Meu pai ficou feliz, deu assistência, contam as testemunhas ainda vivas, dentre elas minha tia Iracema, que acompanhou tudo.

Morávamos numa casa de taipa e palha perto da Rua do Trilho Velho, lembro das festas na capela do Divino, minha mão, eu e meu pai, no largo, apreciando as coisas. Naquele tempo ele havia perdido um filho, que se chamaria Antônio. Ano seguinte, nasceu o Elmar, nome que o meu pai deu em homenagem a um grande amigo de infância, que vim a conhecer muito depois no Rio de Janeiro, onde é juiz federal aposentado.

O Elmar tinha como padrinhos dona Ló (Laudelina Maria da Conceição) e José Ferreira Lima, conhecido como Zeca Baiano, os quais tiveram dois filhos, Antônio Ferreira Lima, hoje advogado em S. Paulo, e Liduína Maria da Conceição Castelo Branco, professora, casada, moradora em São Luís (MA).

Na casa desses compadres, no Beco do Urubu, minha mãe nos deixou, indo morar em Coroatá, onde depois se casou com Leopoldo Bogéa, pai do professor Bogéa, de Teresina, a quem tenho como verdadeiro irmão. Meu pai, quando não estava viajando (ele trabalhava para o meu avô) nos visitava todo fim de tarde, a mim e Elmar e nas voltas das viagens trazia brinquedos, presentes. Ajudava no sustento com sacas de arroz, de feijão. Seu Zeca Baiano tocava saxofone, dava aula de música à noite e durante o dia trabalhava como ourives.

Tinha uma oficina na Praça dos Três Corações. Eu é quem ia, montado num jumento chamado "Currupião", levar a marmita com o almoço para o seu Zeca.

O casal em ensinou muito dos valores morais que eu carrego, ainda hoje. Um vez minha mãe chegou e levou com ela o Elmar, meu irmão. Que com ela viveu, sob sua proteção, casou-se, teve filhos, até ser assassinado por um policial no trânsito, em Floriano (PI). Na época ele era chofer de táxi, e eu, ministro do Tribunal Federal de Recursos.

Quando cheguei na idade de ir para o Grupo Escolar, eu sabia que não havia sido matriculado com o nome completo, que o Vidigal do meu pai havia sido omitido para não acirrar contra ele as iras preconceituosas (que eu até hoje compreendo) do meu avô. Mas caderneta escolar, aquela na qual se exigia assinatura do pai ou responsável após o registro das notas baixas ou das traquinagens, era assinada por ele.

Guardei por muito tempo profunda mágoa do meu pai, mas apenas por causa de duas surras muito violentas e injustas em que ele, chegando para mim, sem mais nem menos, foi puxando um cinturão de borracha e me deixando em carne crua. Depois foi preciso água de sal para sarar. A segunda - porque eu tirei nota baixa em Matemática e disseram a ele que eu desacatara a professora - foi a última. A partir daí resolvi não depender mais dele e comecei a trabalhar, fazendo biscates, vendendo água, picolé, pão nas ruas, trabalhei criança ainda em muitas coisas.

Deixei a casa da Dona Ló e do seu Zeca e fui para casa da minha madrinha, Zefinha Abreu, onde me sentia mais livre. Depois, meu pai, já vivendo com outra mulher, mudou-se para a mesma rua, em frente à casa da minha madrinha. Àquela altura ele já estava independente, meu avô já se mudara com a minha avô para Fortaleza, onde anos depois morreu, estando enterrado no Cemitério de S. João Batista. Onde meu pai, morto em 1984, também está sepultado.

Não tenho registro exato de quando resolvi ficar em definitivo em São Luís, onde fiz carreira de jornalista, líder estudantil, político. Mas recordo que quando precisei da Certidão de Nascimento para me matricular no Ginásio, após ter sido aprovado no curso de admissão, foi ele quem me indicou onde obtê-la. Assim como o registro de batismo havia sido feito de forma confusa para confundir eventuais pesquisas do meu avô, numa das suas idas a S. Luís ele achou por bem me registrar num Cartório distante, no bairro do Anil, precisando para isso de autorização do Juiz.

Pois esse capítulo da história da minha vida, por conta do qual muitos da época me apóiam ainda hoje, até como forma de reparação do preconceito contra minha mãe, isso tudo foi escarafunchado com o objetivo único, perverso, de macular a minha honra e a dos meus entes queridos, muitos dos quais já morreram.

Dizer que não concluí o curso primário por ter sido reprovado é outra falsidade. Na verdade, deixei o curso, indo fazer o exame de admissão em S. Luís. No Curso de Comunicação ingressei mediante vestibular. Abandonei depois porque, já sendo jornalista profissional, achava que não tinha mais tempo a perder, já encontrara minha verdadeira vocação, ser advogado.

Prestei vestibular na Universidade Federal do Maranhão, fui aprovado, transferi-me para a Universidade de Brasília, onde me graduei e onde sou professor. Não tenho nada a esconder. O curso de Administração na UNB foi na época em que eu era vereador e a bolsa me foi conseguida pelo então deputado José Sarney. Foi um curso intensivo, de extensão cultural.

A divergência na data de nascimento, na carteira de identidade emitida pela Polícia, quero atribuir a mero erro material, já acontecido com muitas pessoas do Brasil. E que lucro haveria eu de ter com isso? Mesmo assim, tendo só agora me dado conta disso, estou requerendo à Secretaria de Segurança as correções devidas. Tenho orgulho das minhas origens humildes. Nasci excluído, filho do preconceito, cresci sem infância, sem tempo para a juventude, sempre estudando, lutando, trabalhando. Podem continuar me injuriando, me caluniando, me difamando. Por aí não vão me derrotar nunca. Sem nunca ter tido as vantagens que a vida deu a muitos, cheguei aqui. A inveja que se aquiete.

PS - Sobre a alegação de que a Prefeitura de Caxias construiu minha casa, informo que o terreno é uma antiga propriedade familiar e o prédio foi concluído em 20/07/1944, data do meu casamento com Eurídice, e nessa época o prefeito era Paulo Marinho, que, aliás, tentou entrar na festa, sendo barrado: "- Na minha casa não entra ladrão, entram os meus amigos e os amigos dos meus amigos", decretei. Ele então contentou-se em mandar uma equipe de filmagem, que foi aceita. Foram testemunhas do casamento e da inauguração da casa os senadores José Sarney e Alexandre Costa, padrinhos dos noivos, e o senador Edison Lobão, dentre outros.

Quanto ao restante do penico de injúrias, tudo se aplica ao próprio Paulo Marinho e a seus sócios e protetores, eles, sim, acostumados a trambiques, extorsões e mentiras, sempre se dando bem contra a lei e às custas do dinheiro do povo. Se não sabem honrar pai e mãe, nem nos bons exemplos dos pais e das mães, eu não arredarei deste mandamento em relação aos meus, os quais, embora tenham feito pouco por mim, fizeram o que puderam, não me deixando histórias das quais eu tenha que me envergonhar.

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