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300 padrões azulejares são catalogados no Maranhão



Data de Publicação: 2 de setembro de 2006
 
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INVENTÁRIO
Cidades Históricas

Mais uma vez, depois de um meticuloso trabalho de pesquisa e catalogação, a bibliografia sobre a azulejaria do Maranhão é novamente enriquecida. Agora, com o “Catálogo dos Azulejos das Cidades Históricas do Maranhão”, trabalho que complementa de forma inédita um vasto painel da azulejaria antiga existente no estado. A publicação é fruto da parceria entre a Companhia Vale do Rio Doce, por meio de patrocínio, com a Sociedade de Amigos do Centro de Criatividade Odylo Costa, filho. O lançamento do Catálogo, que carrega um cd-room com as informações do Inventário dos Azulejos do estado, será na próxima terça-feira, às 8h30, no Museu Histórico e Artístico do Maranhão.

O registro compreende o levantamento da azulejaria existente na arquitetura civil e religiosa – fachada, interior, registro de figuras religiosas, igrejas e cemitérios - dos municípios de Alcântara, Caxias, Guimarães, Rosário e Viana. Nestas cidades, foram catalogados 16 padrões diferentes dos já encontrados nas pesquisas anteriores: três frisos (barras finas formadas por pequenos azulejos que fazem contornos às portas, janelas e fachadas), sete cercaduras e seis azulejos. No período de 2004 a 2006, foram encontrados, tanto na capital quanto no interior, 309 diferentes padrões de azulejos originários de Portugal, França, Alemanha, Inglaterra, Espanha e Holanda.

Caminhando pelo município de Alcântara, cidade tombada como monumento nacional em 1948, depara-se com imóveis que apresentam azulejos antigos no seu interior e fachada, principalmente, os localizados no Largo da Matriz de São Matias, Rua de Baixo, Rua Grande e Rua Direita.

Mas é a Igreja Nossa Senhora do Carmo de Alcântara que guarda o maior acervo azulejar encontrado em igrejas do Maranhão. As espécies de azulejos que compõem o silhar da Igreja do Carmo totalizam 25 painéis do tipo almofadados marmoreado e padronagens de tapetes. Sete revestem a capela lateral e 18 estão na nave. Este acervo tornou-se raridade por integrar o patrimônio azulejar mais antigo do Maranhão, confeccionado nas oficinas portugueses.

Indo a Caxias, que também possui um valioso conjunto urbanístico e arquitetônico, com casarões coloniais, alguns revestidos de azulejos portugueses do século XIX, foi registrado um tipo de azulejo raro. “É belíssimo. Totalmente diferente do já pesquisado em outros lugares do estado”, afirma o especialista em conservação e restauro de azulejos, Domingos de Jesus Costa Pereira. No Cemitério dos Remédios também foram encontrados oito túmulos revestidos em azulejos portugueses.

Os azulejos de Guimarães revestem a fachada da Casa Paroquial, uma construção de pedra e cal, remanescente do período de prosperidade econômica, que conserva o estilo peculiar e tradicional português. A cidade, considerada guardiã de azulejos portugueses do século XIX, também possui alguns exemplares de registros devocionais.

Já em Viana, a equipe do Inventário dos Azulejos das Cidades Históricas do Maranhão percorreu e cadastrou os imóveis com azulejos tradicionais, na área tombada da cidade. Indo até Rosário também no interior do Maranhão, os pesquisadores não encontraram um único exemplar que possuía azulejos antigos, identificado na Igreja Nossa Senhora do Rosário. A fachada azulejar foi substituída por outra, no final do século XX, com azulejos novos da mesma cor branca.

O levantamento destes raros pedaços que contam a História do estado foi idealizado pela pesquisadora Zelinda Lima, 79. “É inquestionável resgatar a memória azulejar. Este registro da azulejaria, que abrange todo o estado, não é um estudo que se esgota com a publicação dos três catálogos. Há outros desdobramentos, que envolvem conscientização com estudantes da rede pública e o Curso de Azulejaria. É algo grande”, reforça a idealizadora do projeto, Zelinda Lima.

O projeto
Com a realização do Inventário dos Azulejos das Cidades Históricas do Maranhão, conclui-se a terceira e última etapa do projeto “Inventário dos Azulejos do Maranhão”, iniciado em 2004, com a pesquisa do acervo azulejar do Centro Histórico. A pesquisa resultou no Catálogo dos Azulejos de São Luís. No ano seguinte, os pesquisadores fizeram o levantamento em outros bairros e municípios de São José de Ribamar, Paço do Lumiar e Raposa. Da catalogação das informações surgiu o Catálogo dos Azulejos da Ilha de São Luís.

Mas o trabalho de resgate da memória azulejar vai mais além, promovendo uma ação de conscientização sobre a importância do acervo com estudantes de 30 escolas públicas da área Itaqui-Bacanga e do Desterro. O projeto é intitulado Educar para Preservar. Outro viés do projeto Inventário dos Azulejos do Maranhão é o curso de Azulejaria, realizado de outubro de 2005 a agosto deste ano, e que formou a primeira turma de 13 profissionais em restauro e manufaturas de azulejos coloniais. A ação abriu frente para uma nova profissão no mercado de trabalho no estado. Todas estas ações, conjuntamente, fazem parte do Programa de Restauração e Salvaguarda da Azulejaria do Maranhão, um projeto inédito para o Brasil.

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