A PF (Polícia Federal) prendeu 39 pessoas ontem, em megaoperação realizada em ao menos oito Estados brasileiros. Ao menos quatro dos presos participaram do assalto ao BC (Banco Central) de Fortaleza (CE), o maior no país, em 2005. O grupo levou R$ 164,8 milhões por um túnel. A polícia tinha 56 mandados de prisão, autorizados pela Justiça Federal do Ceará.
A megaoperação também culminou na prisão de simpatizantes ou integrantes da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital), à qual foram atribuídas três ondas de ataque em São Paulo, desde maio deste ano.
A operação começou com a revelação da escavação de um túnel por meio do qual seriam furtados cofres de duas agências: uma do Banrisul (Banco do Estado do Rio Grande do Sul) e outra da CEF (Caixa Econômica Federal), no centro de Porto Alegre (RS).
No Rio Grande do Sul, ao menos 26 pessoas foram presas, suspeitos de planejar um furto a dois bancos. Parte é suspeita de ter participado do assalto ao BC (Banco Central) de Fortaleza e de seqüestrar uma equipe da Globo no mês passado.
Entre os suspeitos de planejar furto a dois bancos presos pela PF está Lucivaldo Laurindo, suspeito de ter liderado o furto ao BC (Banco Central) de Fortaleza, o maior do país, e de ter ligação com o PCC, por meio de seu irmão.
Lucivaldo foi detido em Porto Alegre. Ele é irmão de Geovan Laurindo da Costa, preso na zona sul de São Paulo e considerado um dos "gerentes" do PCC na região. Geovan seria, segundo a polícia, um dos criminosos mais próximos de Luiz Fernando Ribeiro, o Fê, que teria financiado o furto do BC com R$ 300 mil.
Fê foi seqüestrado em São Paulo. Apesar de o resgate de R$ 2 milhões ter sido pago, ele foi encontrado morto em Minas, em outubro de 2005.
Globo
Um dos presos no túnel escavado em direção a dois bancos de Porto Alegre é o ex-presidiário Carlos Alberto da Silva, o Balengo. Segundo informou a DAS (Divisão Anti-Seqüestro) de São Paulo, Balengo seria um dos envolvidos no seqüestro do repórter Guilherme de Azevedo Portanova, 30, e do técnico Alexandre Coelho Calado, 27, da Rede Globo, no último dia 12, na zona sul de São Paulo.
Balengo teria agido ao lado de Alexandre Campos dos Santos, o Jiló, 27, e Sherley Nogueira Santos, o Fininho, 34. Os três, de acordo com a Polícia Civil, são integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital).
Portanto, a prisão de Balengo aumenta as suspeitas de que a organização criminosa --que nasceu no sistema penitenciário paulista, em 1993 - esteja ligada ao planejamento do megafurto.
Nos últimos dias, o manobrista Luciano José da Silva foi preso acusado de ter roubado o carro usado no seqüestro. Com as informações dadas por ele, foram identificados mais dois suspeitos: Douglas de Moraes, preso por acaso pela PM (Polícia Militar), e Sérgio Moura da Silva, o Mufamba.