O futebol brasileiro cansou de acumular glórias graças a seu potencial individual, que em muitas ocasiões compensaram organizações táticas frágeis ou preparo físico deficiente. No entanto, essa marca cultural da história da seleção e de outras equipes nacionais vitoriosas está fora da cartilha do time de Dunga.
No dia que marcou a volta de Kaká e Ronaldinho Gaúcho à seleção depois da eliminação na Copa, na apresentação para os amistosos na Inglaterra contra Argentina e País de Gales, o novo treinador da seleção voltou a reforçar a idéia que o seu time jamais será carregado por uma individualidade destacada.
"O individual é importante, mas muito menos do que o coletivo. É preciso que os jogadores entendam isso, que o conjunto deve se sobressair", comentou Dunga em resposta à pergunta de qual é a importância da dupla Kaká e Ronaldinho em sua equipe.
Fiel a seu estilo dos tempos de atleta, o treinador ainda definiu o que exige de seu comandado. "É isso o que eu quero: corpo, cabeça, mente, alma e coração", listou.
Dunga ainda evitou entregar publicamente como pretende aproveitar Ronaldinho Gaúcho em seu time, se como meia, como na gestão de Carlos Alberto Parreira, ou se como atacante, da maneira que o jogador está acostumado a atuar nem seu clube.
Entretanto, o novato treinador da seleção descartou a hipótese de construir sua equipe em torno da capacidade do astro do Barcelona.
"Existem clubes que jogam em função de um jogador. Isso aqui não vai acontecer. Uma equipe não pode esperar que um jogador decida", afirma.