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PAULA TINA



Data de Publicação: 3 de setembro de 2006
 
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Indiferença
Ricardinho, meu anjo exterminador da monotonia, estou cansada de ver tanta pasmaceira no horário eleitoral gratuito. Os candidatos não falam de outra coisa a não ser dos 40 anos de atraso. Mas são eles que estão atrasados... em tudo. Às vezes, penso em romper com o atraso da minha televisão. Mas aí o Edivaldo Holanda Júnior, com aquela paciência de pastor que só ele tem, me pede calma. Aí eu tomo um calmante, um excitante e um bocado de gim enquanto o Edivaldo pega o controle remoto da minha mão e liga novamente a TV. Já disse pra mim mesma que de agora em diante vou fazer como as minhas vizinhas do 402. Elas tão loucas pra votar no Tom Zé de Abreu, aquele bonitão de cabelos grisalhos do PSTU que diariamente dedilha no violão “Eu acredito é na rapaziada”. E ele nem é candidato. “E daí?”, dizem elas. As danadas sabem que só a luta muda a vida de uma mulher encalhada. E elas, brasileiras que são, não desistem nunca. Quanto a mim, fofóide, vou sobrevivendo, sem um arranhão, da caridade de quem me detesta. Quero apenas ser feliz, beijar na boca do Edivaldo Holanda Júnior às sextas-feiras (no sábado ele não pode porque a religião não permite) e ir ao cinema com as amigas aos domingos. É o que me basta.

Dores de amor
E por falar em Edivaldo Holanda Júnior, pouca gente sabe os motivos que levaram o meu amorzinho a tirar 121 dias de licença. Dores fortes na coluna, simplesmente. Com ciúmes do meu passado com o Kenarzinho (os velhos tempos de Barata Ribeiro!!!), Júnior quis provar para os amigos da Paula Tina que também é capaz de fazer amor num Fusca branco, ano de fabricação 1978. Gente, eu fiquei bege! Mas, enfim, lá fomos nós... Estacionamos o automóvel na parte mais escura da praia do Coqueiro, como nos velhos tempos do Kenarzinho. Mal terminamos de ler um salmo, minha calcinha creme já estava estendida no morcego do Fusca (lembram que Fusca tinha até morcego?). Dali em diante foi aquela luta de corpos suados. Quando dei por mim, minha coisa côncava já estava totalmente preenchida pelo longo convexo do rapaz. Depois de meia hora de embolação, o Didi não conseguiu mais voltar ao seu estado de homo erectus. Ou seja, ficou curvado a ponto de sair dali pra emergência do São Domingos. Reparem que ainda hoje ele sofre de desvio da coluna. E, francamente, ficar ali na Câmara daquele jeito e ainda ter que agüentar a gozação do morto de pão do Pereirinha... Só tirando licença!

Só na pedra
Desde os idos de 2004, tem uma pedra no caminho do povo de Caxias, plantada pelo filho ilustre Vidy Gal depois que Carneiro achou a maior sacação a idéia da Cidade do Judiciário. Tal cidade, que seria uma espécie de condomínio de um tudo que se refere à Justiça, não foi além da solene pedra fundamental. O danado é que no mesmo dia do lançamento a tal pedra já deu despesa: é que para gerenciar a Cidade do Judiciário, que até hoje é só uma pedra, nomearam Rachelzinha dos Franceses (um doce de pessoa. O marido dela é que faz o estilo seu Lunga, grosso que nem papel de enrolar prego). Vidy sugeriu e Carneiro sacramentou um Bolsa Dignidade equivalente a um salário inteiro de secretário de estado para a chefe da Cidade do Judiciário que não passa de uma pedra e lá se vão 24 meses, dois décimos terceiros e dois terços de férias. Em assim sendo, o Maranhão tem 70 secretários de estado e uma diretora da Cidade do Judiciário, ou melhor, da pedra fundamental da Cidade do Judiciário. É mole?

Rifado
Gente, o Domingos Bingos Dutra, na TV, está dando azia em sonrizal. Ele grita o tempo todo como se estivesse cantando bingo para um bando de aposentados surdos. E ainda diz que é “sorte duas vezes” – pra ele, é claro, que tanto fatura na venda da cartela como na conquista do prêmio em questão. Já o Vilanova, carinhosamente tratado por Vaness pelo pessoal da Pública, prometeu romper com seu jeito francês de economizar nos banhos e daqui por diante vai se submeter duas vezes por semana a 60 segundos de lava-jato.

No ócio
Sabe aquele cara molenga que só tem duas tartarugas para tomar de conta e ainda deixa uma ir embora? Pois é, o Carneiro está desse jeito e disso a delegada tem reclamado para todos os cantos do recanto dos Leões. Revelações pontiagudas via páginas do Orkut, lambanças em forma cartas-convite e o fraco desempenho da sua trinca de candidatos têm consumido o ânimo do engov. A autoridade se queixa de que ele nem levanta mais, é o dia todo sentado, acabrunhado e resmungando pelos cantos. Ela, vendo o tempo passar, também já começa a dar sinais de desgosto. Afinal, já se descortina no horizonte aquela rotina medonha de passar a noite preenchendo bêós e ainda ter que começar o dia dando entrevista para o Jânio Arlei. Arre!!!

Amigo, amigos...
Vidy Gal tem dito a assessores. Vai precisar de mais uma aposentadoria para consertar os estragos que as estradas do engov Carneiro provocaram às suas costas e frentes de campanha... “O povo tem razão quando diz que as estradas são fantasmas. Assombraram meus três por cento de eleitores e a mim...”, choramingou entre sessões de ungüento “Bálsamo de Tigre” e emplastro Sabiá... Ao saber disso, Jaquisson não perdeu a pose... “Esse Vidy Gal é mesmo das antigas. Desde que descobri o helicóptero, até minha bengala voa por solidariedade...”.

Fantasmas, não
O Dr. Dô está às voltas com alma em carne e osso que pôs para correr dele o sono e o implante capilar... Casado com uma irmã do engov Carneiro, o ex-primeiro cunhado descobriu: além de filhos homens, é pai de uma jovem recém-saída do anonimato, fruto extraconjugal... Bonita e nova, a moça herdou gênio idêntico ao do papai estradeiro... Levou apartamento e carro novos, mas quer mesmo é o sobrenome do Dr. Dô... Foi informada pelos advogados que o doutor esconde patrimônio fantástico... A moça prometeu escândalo público caso proponham a ela negócios fantasmas...

Caindo de boca 1
Toda a rede de divertimentos turísticos foi mobilizada para a inédita gravação da nova senadora dengosa e hemorrágica... O programa teria sido gravado em suíte máster do Turu, contou produtor à Paula Tina... O roteiro: 1) Naza Ré seria flagrada em robe erótico, entreaberto, a receber o sangue de sanguessuga anônima... 2) Em derradeiro esforço para se livrar do robe, Naza Ré cairia de boca nos eleitores e inimigos de campanha... Deu certo... Um gigante do ramo requisitou a fita como aperitivo a clientes...

Caindo de boca 2
A fita erótica eleitoral da Naza Ré agradou em cheio... A protagonista esteve ótima, e nem precisou de dublê e photoshop nos momentos mais picantes do aedes aegypty... No Palácio dos Leões Nus, a história foi outra... O engov Carneiro requisitou às pressas a Regininha e o Machadinho... Especialista em bombas e mídia, o engov sentou o pau nos dois por não terem idéia semelhante nos quatro anos de governo...

Caindo de boca 3
“Passei o primeiro ano com a corda no pescoço... O segundo, apanhando em praça pública de A. Cruz... O terceiro, assombrado por estradas fantasmas e imobilismo ... O quarto, algemado ao pé da cama e a caprichos delegados... Com ou sem robe floral, com sangue ou sem sangue de barata, vocês dois não valem uma asa da Naza Ré...”, esbravejou o governante...

Caindo de boca 4
Regininha e Machadinho só não perderam novamente a cabeça porque o engov chegou à conclusão conclusiva: é preciso ser pequeno demais para sumir rápido com as manchetes do grande governo... Fã da senadora hemorrágica, o engov quis conferir de qual parte da China viera o robe da doente... Ao saber do intento, a delegada Anna Kar. Neiro deixou anúncio à porta da suíte máster... “Caso tente ultrapassá-la, verifique antes se o Socorrão II atende a golpes de estado nos Países Baixos...”...

É assim que se fala (3)
“Tenho quatro amigos inseparáveis: ouro, copas, espada e paus. Perguntem em qualquer mesa...”, de Ader$inho, o monstro do Lago, dedicado ao estudo da paciência no convento das águas turvas.

“Amigo, amiga... Estou esperando a contagem final das urnas pra ver o que o Vidy Gal, o Ader$on e o Judas Tadeu deixaram pra mim...”, diz Jaquisson, o candidato amigo do vazio das multidões

“Ele é amigo do Lula?... Não era isso que ele dizia quando veio lamber os ossos da minha carne...”, do engov Carneiro, revoltado com o súbito amor do Vidy Gal pelo presidente.

“Eu te disse que esse Vidy Gal era traíra... Ele se acha superior à minha autoridade de delegada esposa governamental...”, da Anna Kar. Neiro, em alerta ao algemado engov.

“Eu até poderia ser amigo do Vidy Gal, mas a origem dele de pobreza e miséria sujam qualquer biografia de Operário Padrão...”, do presidente Lula, intrigado com a oferta tardia do ex-ministro...

“Quero viver em banco de praça se deixei algum amigo a esperar com a mão no cofre aberto...”, do candidato John Faber Castel, o número um nas pesquisas do Red.

“O Carneiro é avoado, mas amigo de todas as horas... Não me admiraria se pedisse votos pro Vidy Gal com a foto da Rose debaixo do braço...”, da Xandra, gamada com o novo amorzinho orkutiano.

“A Xandra era minha amiga da onça de verdade... Nessa época de tempo, meu estilo londrinho era muito manso...”, da ex-ama de vôos e prossecos Eriquinha Pocotó.

“Amizade é um conceito na contramão da via única da gestão dos boys e contínuos...”, do ex-piloto de ravioles Pikê-mon, o novo guru paradidático do subway londrino.

“Esse Vidy é arraia miúda. Foi amigo do Dono do Mar e hoje é do Lula... Faltar Serra, ele vai comer fel de baiacu...”, de Zé Sarnambi, pescador e pagador de promessas da Baía de São José.

“Jamais neguei copo cheio a amigo ferido de emoção...”, do deputado Wilson Envelhecido em Barris de Carvalho, ao explicar aspectos da Operação Copos Limpos.

“Fico em pânico de emoção... Sim, minha nova obra capilar foi inspirada na amiga Sabrina Sato...”, da deputada Telemar (antiga Telma) Pinheiro, explicando porque rompeu com a maquete do mascate...

PAULATINAMENTE
Vastas emoções e pensamentos imperfeitos da Paula Tina: “Não confunda a caravana do Jornal Nacional com aquela grana pro Jornal do Lourival”.

CARTAS DA HISTÓRIA (V)
O curso dos recursos


Como será o amanhã

A convite da agência Pública, a vidente e ex-conselheira governamental Mãe Joana fez o mapa astral dos três candidatos de Carneiro ao governo do Maranhão: Ader$inho, Jaquisson e Vidy Gal. Os astros, assim como as cartas, não mentem jamais. Mãe Joana intui que o futuro deles é duvidoso. Atualmente radicada em Quixeramobim, onde presta serviços de consultoria espiritual e carnal à primeira-dama daquela desenvolvida urbe, Mãe Joana fez um rasante em São Luís especialmente para a sessão de astrologia. Acompanhe em primeira mão o que dizem os astros.

Ader$inho, o monstro do Lago

Do signo de Aquário, Ader$inho é regido pelo elemento Água. Adora uma jogatina e quando se empolga aposta até os anéis de Saturno da dama de paus que o acompanha em suas errantes noites de relancinho. Os astros me dizem que, mesmo infeliz no jogo, ele tem sorte no amor. Ele ama o que possui. A Lua em Aquário em conjunção com Marte sugere cautela. Mas mesmo em tempos difíceis, ele não abre mão das cartas, e irrita-se fácil quando alguém tenta penetrar no seu círculo íntimo. Na ocasião em que o malfeitor Vênus quase invade a sua décima segunda casa, ali na frente de todos, ele quase teve um troço. Sua ascendência em Touro atesta que Mercúrio no Orkut dos outros é refresco. Não há dúvida: Netuno continuará rondando nos finais de semana a sua sexta casa astral de diversões eletrônicas.

Jaquisson

Do signo de Virgem, Jaquisson tem como regente Mercúrio, Merthiolate e Luftal. A oitava casa astral indica futuro incerto para o candidato. A saúde inspira cuidados. O azul da camisa é a cor do cansaço e do atraso. É preciso libertar-se das correntes que o prendem ao passado. A dúvida continua pairando sobre o seu horizonte astral. Irrita-se com facilidade e se enche de gases toda vez que ouve falar de pesquisas eleitorais. Os números são minúsculos. Detalhes tão pequenos são coisas muito grande pra esquecer. Evilson consola e mostra números animadores. Jaquisson já não tem mais fôlego de menino pra fazer caminhadas em frente às câmeras de TV. Não há mais recursos. O candidato já está latindo no quintal da Imagine pra não comprar cachorro.

Vidy Gal

Vidy Gal é de Escorpião e está sempre disposto a ferrar os que estão por perto. “Não adianta, é da minha natureza”, repete sempre a mesma ladainha por onde passa. Tem como regente Plutão e, por isso, também foi rebaixado agora à categoria de satélite dos outros dois candidatos da cooperativa carneiral. O Sol em conflito com Urano confirma uma certa crise de identidade no candidato. Ora ele pensa que é Judas, ora pensa que é Joaquim Silvério dos Reis. É autoconfiante como uma anta. “O que seria de mim se não fosse eu mesmo?”, costuma se gabar para os três por cento de eleitores. Plutão em Sagitário alerta-o para desistir, mas ele resiste porque é teimoso como uma mula. Deus e o mundo já sabem que ele não nasceu com o bumbum virado pra Lua em equilíbrio com Urano. Mas ele, mesmo cego, ainda enxerga uma luz no fim do túnel do Sacavém. A luz é o elemento Fogo avisando que a coisa pode esquentar a qualquer momento nas questões de amor e cartão de crédito.

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