Três pessoas foram presas no Maranhão, na manhã de ontem, durante a Operação Sanção, deflagrada em cinco estados pela Polícia Federal. A missão tinha como objetivo desbaratar uma quadrilha interestadual especializada na falsificação de sentenças judiciais. Além do Maranhão, pessoas também foram presas no Pará, Minas Gerais, Ceará e Pernambuco.
Ao todo foram expedidos 11 mandados de prisão temporária expedidos pela Justiça Federal do Maranhão, dos quais cinco para serem cumpridos aqui, mas até o fechamento da nossa edição, apenas três haviam sido executados. Estão presos o corretor de imóveis, Antônio Carlos Paz Landi, o empresário Francisco Dantas Araújo e o oficial de Justiça Moacir Monroe Ferreira. Segundo o delegado da PF, Sandro Augusto dos Santos, os homens serão investigados por crimes como estelionato e formação de quadrilha. O mandado de prisão foi para facilitar o indiciamento dos envolvidos.
Além dos três acima citados, foram presos Paulo Ricardo Rott Brazeiro, em Belém; Aurélio Silva Roque, em Minas Gerais; Mario Sérgio Gonzalez de Oliveira, no Ceará; Marilene Tenório da Silva, Davino Mauro Tenório da Silva e José Carlos Robalinho de Barros, em Pernambuco.
O golpe
De acordo com informações do delegado, a quadrilha conseguia o número das contas bancárias inativas das vítimas, geralmente pessoas aposentadas ou já falecidas e, em seguida, conseguia descobrir se nas contas bancárias existiam valores depositados. Através de documentos falsificados, o bando obtinha um Alvará da Justiça para a liberação dos valores.
Em alguns casos, havia a participação de magistrados, como no caso de Jaboatão dos Guararapes, em Pernambuco, onde foi preso o juiz André Rui Cavalcante de Albuquerque, da Primeira Vara Cível. O delegado informou ainda que os Alvarás de Justiça obtidos pelo bando não eram falsos, contudo conduziam de forma incorreta as decisões dos juízes.
Até o momento, a PF confirmou duas vítimas da quadrilha, cujo prejuízo aproximado chega a casa de R$ 1 milhão. A polícia investiga ainda a existência de outras vítimas dos acusados, assim como o envolvimento de outras pessoas. Há dois anos, as Superintendências do órgão nesses cinco estados vinham trabalhando no caso.