O ex-analista de mídia e risco da campanha do PT à Presidência, Jorge Lorenzetti, admitiu ontem que tentou obter o dossiê que supostamente incriminaria políticos tucanos, mas negou que tenha negociado valores financeiros para conseguir o material. Em depoimento à Polícia Federal, Lorenzetti também isentou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do PT, Ricardo Berzoini, de envolvimento no episódio.
Também conhecido como o churrasqueiro do presidente, Lorenzetti se retirou da superintendência da PF em Brasília sem falar com a imprensa. Ele depôs como testemunha e não foi indiciado. As informações sobre seu depoimento foram repassadas por seu advogado, Aldo de Campos Costa.
"Basicamente, Lorenzetti confirmou durante seu depoimento que o dossiê seria entregue para um contato, que foi declinado, ao Hamilton [Lacerda]". Lacerda era coordenador de comunicação da campanha de Aloizio Mercadante, candidato do PT ao governo de São Paulo. Ele foi afastado do cargo após ter admitido que articulou uma reportagem contra políticos tucanos.
Ainda segundo seu advogado, Lorenzetti também admitiu que pediu a Expedito Afonso Veloso e a Gedimar Passos para que verificassem a autenticidade e o conteúdo do material. Afonso Veloso era diretor de Gestão de Riscos do Banco do Brasil e foi afastado após surgir suspeitas de seu envolvimento no episódio do dossiê. Gedimar Passos foi preso pela PF em São Paulo com R$ 1,7 milhão, dinheiro que seria usado para comprar o material contra os tucanos.
Lorenzetti, no entanto, negou a intenção de querer pagar pelo material. "Meu cliente repudiou e condenou qualquer envolvimento [para compra do dossiê] por conta de uma orientação do próprio partido. E também por convicção pessoal de que a obtenção desse documento não poderia se dar através de negociação de valores", afirmou o advogado.
Durante depoimento, Lorenzetti afirmou que "se sentiu chocado" quando soube pela imprensa de que Gedimar teria sido preso com R$ 1,7 milhão.
"Desde o primeiro momento, havia orientação do partido, principalmente pelo momento eleitoral, de que não poderia qualquer negociação [financeira]", disse Aldo de Campos Costa.