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José Reinaldo e Tadeu Palácio: parceria para acabar pontos turísticos de São Luís



Data de Publicação: 24 de setembro de 2006
 
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São Luís foi tombada Patrimônio Histórico da Humanidade e esse título atraiu muitos holofotes para a pequena ilha no Golfão Maranhense. Seus monumentos e belezas arquitetônicas, há muitos séculos construídos, deixaram de ser exclusividade nossa para serem atrações turísticas. As praias, a lagoa, atrações naturais receberam roupagem nova para que toda a capital oferecesse aos seus visitantes mais cenários para suas fotos. Entretanto, Tadeu Palácio e José Reinaldo não entendem que investir nesses cartões-postais estarão trazendo benefícios para a população.

As praias ao longo da Avenida Litorânea são as primeiras atrações dos visitantes. O Centro Histórico, a Praia Grande e outros monumentos estão a cada dia se deteriorando por falta de atenção tanto do governador como do prefeito de São Luís.

Monumentos como a Pedra da Memória na Beira-Mar. A peça original é datada de 1841, que foi construída em homenagem à maioridade do Imperador Dom Pedro II. Localizada originalmente no Campo de Ourique, foi depois transferida para o Cais da Sagração.

Ela é feita de pedra de cantaria, e o monumento também recebe o nome de Baluarte de São Cosme e Damião. Na sua estrutura, a muralha a protege do mar que, segundo a história, pertencia ao antigo Forte São Felipe. Ao redor do monumento existiam dois canhões. Até hoje, após uma reforma (de fachada), que durou todo o ano passado foram retirados os dois canhões e o destino nunca esclarecido.

Outro monumento histórico que é ponto de visita dos turistas é a Fonte das Pedras, no Centro, próximo ao Mercado Central. No projeto a descrição da fonte é de um espaço amplo, arborizado, com alguns bancos simples, frontão de alvenaria, calçamento, galerias subterrâneas, bicas e carrancas. Tudo no melhor estilo colonial português, como indicado logo no portão de entrada, por um escudo de bronze com as lusitanas cinco quinas.

Com a parceria, Tadeu Palácio e Zé Reinaldo, hoje a fonte está assim: bancos velhos e desgastados pelo tempo, muitos buracos, calçamentos soltos, paredes com rachaduras e muita sujeira por todos os lados. Antônio do Espírito Santo, dono de um ponto comercial na área lembra-se de que da última vez que pagou um pedreiro para fazer o conserto da calçada, não pôde apreciar o trabalho por muito tempo porque o caminhão que poda as árvores da fonte estacionou em cima da calçada e quebrou tudo novamente.

Aliás, a arborização é o alvo principal do prefeito Tadeu Palácio. As podas quase retiraram toda a sombra que elas fazem, assim como fez com as praças Benedito Leite e Dom Pedro.


Orla marítima
As praias são a marca da cidade. Como a cidade de São Luís está localizada em uma ilha, mesmo quem mora no interior do Maranhão, quando vem para a capital inclui no seu roteiro, um banho de sol e de mar.

Para valorizar as praias e melhorar o acesso, elas foram unidas por uma avenida que foi chamada de Litorânea, com um espesso calçadão e bares padronizados, cheios de palmeiras, uma praça de alimentação e um parquinho como local de lazer para crianças e quiosques para os vendedores mais antigos venderem coco e outras coisas.

Projeto perfeito, do ponto de vista estrutural, mas que para permanecer precisaria de uma manutenção permanente e vigilância. Enquanto existia uma Gerência Metropolitana administrada por Ricardo Murad, isso foi possível, mas depois que ela foi extinta, o governador José Reinaldo também parece ter extinguido de suas prioridades a preservação da orla.

O parquinho destinado à diversão principalmente das crianças, em que a noite também é praça de alimentação funciona cheio de irregularidades. Brinquedos e muretas de proteção quebrados, banheiros públicos depredados, sem nenhuma higiene, sem lâmpadas, portas rachadas e com trincos quebrados e ralos sem tampa.

Segundo o vendedor Francisco Araújo, na época da Gerência Metropolitana existiam vigias e zeladores responsáveis pela área. Atualmente, alguns barraqueiros pagam vigia, mas nem isso impede a criminalidade. O vendedor se ressente de ver a grama morrendo e todo o patrimônio quebrado. Uma torneira que ficava próximo ao seu quiosque e servia para o vendedor regar todo o mato também foi roubada, e ficou jorrando água por muito tempo, até a Caema resolver fechá-la.

Lagoa da Jansen
Batizada com o nome de uma personagem da história local, a Lagoa da Jansen está localizada entre a Praia da Ponta d'Areia e o Bairro São Francisco, espremida entre o mar e a área urbana. Durante muitos anos, foi alvo de protestos pedindo sua preservação e assim, hoje, ela se configura da forma que é: um espesso calçadão com quiosques, bares, restaurantes, mata original, área de lazer para crianças e adultos. Um passeio para a alta classe!

O que todas essas atrações não escondem é a espessa camada de espuma que sobe à superfície da água, o odor insuportável que denuncia a presença de espécimes de vegetais e animais em decomposição e a freqüência cada vez maior de mortandade de peixes. Tudo isso prova o descaso do governo em relação a uma obra que causa orgulho a todos os ludovisenses.

Apesar do aspecto de abandono, a lagoa ainda é considerada cartão-postal de São Luís. "Gosto de vir aqui com meus filhos. Mas concordo que alguns trechos do passeio público estão precisando de reparos urgentes. Os esgotos in natura também ajudam a tirar a beleza do lugar", comenta a dona-de-casa Ana Patrícia Ribeiro Sá.

Convento das Mercês
Dos cartões-postais, o Convento das Mercês é o único que não passou pelas mãos destruidoras dos dois administradores. Zé Reinaldo bem que tentou, mas a ilusão durou exatos 32 dias. A lei da vingança do deputado Aderson Lago foi revogada liminarmente por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio de Mello, atendendo a ação direta de inconstitucionalidade proposta pelo senador Renan Calheiros, presidente do Senado e referendada por toda a Mesa Diretora daquela Casa.

Graças a essa medida salvadora, a Fundação José Sarney pode continuar atendendo as famílias do Desterro e adjacências, preservando o patrimônio histórico que é um forte cartão-postal da capital.

"Querem tirar para colocar coisa do Estado e no final ficaria igual ao prédio da Oleama. Iriam acabar com o sonho das crianças e jovens de serem músicos. Gostei porque amanhã pode ser meu filho. Essa fundação ainda vai crescer muito", opinou Clodoaldo Jorge Santos, serigrafista.

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