O empresário Darci José Vedoin, fundador da Planam e um dos acusados de chefiar a máfia dos sanguessugas, disse ontem acreditar que o seu filho Luiz Antônio, preso sob acusação de tentar vender um dossiê contra candidatos tucanos, é vítima de manipulação política.
"Você tem alguma dúvida disso?", foi a resposta que deu à pergunta da Folha sobre se seu filho estava sendo usado politicamente no "dossiêgate".
Quase nada mais falou. Darci saía da Polinter, onde Luiz Antônio está preso em Cuiabá. Estava acompanhado da mulher, Cléa. Eles foram ao local buscar a nora, Helen, que estava visitando o marido.
Abordados pela reportagem, os três apressaram o passo e entraram num Toyota Corolla preto, se desvencilhando de perguntas sobre a situação de Luiz Antônio e sobre o dossiê. No caminho, Cléa disse: "Respeite a dor de pais sofridos e de uma esposa. Respeite um homem doente".
Afirmou ainda que Darci não tinha condições de falar, que acabara de retornar do cardiologista. Enquanto entrava no carro, o patriarca dos Vedoin demonstrou uma expressão de dor e cansaço. Minutos antes, ao conversarem com uma agente penitenciária, ele e a mulher sorriram e pareciam relaxados. Helen não pronunciou palavra.
Darci Vedoin teve a prisão decretada no início de maio com outros 53 acusados de pertencer à máfia dos sanguessugas. Foi solto em julho em troca do benefício da delação premiada.
Luiz Antônio, que comanda a Planam, também foi libertado, mas voltou a ser preso acusado de tentar vender ao PT um dossiê com imagens associando candidatos do PSDB ao esquema de venda de ambulâncias superfaturadas a prefeituras.