* Por Jonas Costa
Com isso, a cidade perde, em todo ou em parte, por ação do tempo ou desgaste pelo uso; seu valor histórico. Ao fazer-se um balanço, conclui-se que o número de imóveis abandonados na cidade já ultrapassa o limite de aceitação, cuja responsabilidade maior recai sob seus proprietários pela falta de estimulo de sentimento pelo valor material e histórico deles e de não se esforçar para conservá-los. Apatia essa que significa carência de amor ao belo, ao bem e à verdade, dando surgimento à falta de senso de responsabilidade e de previdência, uma vez que a propriedade estimula a pessoa a realizar melhor as coisas e valorizar suas responsabilidades de criar mais riquezas, colaborando assim, para que o mundo seja mais bem aproveitado pelos homens, enquanto a outra parte cabe ao Governo do Município de São Luís que, em função do exercício regular do poder de polícia, pode intervir no sentido de conter os abusos de alguns proprietários que não se preocupam com a principio conservador, cedendo espaço à depreciação de seus imóveis através do esquecimento, e de criar um modelo mais eficaz que possa, dentro da lei, exigir maior respeito aos bens imóveis que contribuem para a conservação do patrimônio histórico da cidade, bem como de um ambiente de ordem, de limpeza e de beleza, única forma que realmente corresponde à dignidade da comunidade ludovicense.
A verdade é que São Luís é uma das cidades mais antigas do País e, por sinal, uma das mais belas e atraentes, qualidades estas que não foram conquistadas pelo seu desenvolvimento natural, como outras tantas alcançaram, mas pela sua cultura herdada de outros povos vindos para cá, como franceses, holandeses e portugueses, os quais, em proporção ao tempo em que aqui estiveram, deixaram, além da sua história e conhecimentos, vários monumentos e um grande conjunto de casarões em azulejos variados, com sacadas de ferro em janelas e portas em seus andares, e escadas em tábuas largas e espessas da madeira pau d'arco ou bacuri, de cuja riqueza impar o maranhense hoje se orgulha. Logo nosso dever é lutar pela conservação desse patrimônio inestimável e não deixá-lo se acabar pelo tempo ou pelo descaso, como está acontecendo, simplesmente por falta de amor a esse enorme bem que merece ser continuo, para conhecimento de futuras gerações.
Realmente o maranhense é, por índole, pacífico, ordeiro, afável e idealista, mas como não há regra sem exceção, muitos donos de casas e prédios, para nossa tristeza, se mostram desligados com relação, também, à conservação de suas respectivas calçadas que, na maioria, está deteriorada, isto é, cheia de buracos, depressões e muitos destes com água estagnada, como se a limpeza e o ornamento ou roupagem não significassem algo importante e necessário para a proteção de seus moradores e dos transeuntes que por elas passam no dia a dia. Mas como só isso não bastasse, quero lembrar a todos que São Luís, oito anos atrás, tornou-se uma cidade turística, exatamente quando Roseana Sarney, como governadora, implantou essa indústria no Estado, em face de suas vantagens de natureza econômica, política, social e cultural. Mesmo assim, a administração do município e muitas pessoas, embora sabendo que o turismo representa, de um lado, o afluxo de dinheiro para São Luís e outros locais do Estado, e por outro,
uma divulgação dos produtos aqui fabricados, com evidentes vantagens para a indústria, pessoas e o município, ainda se omitem a colaborar, no que se refere à limpeza e aos aspectos de conservação da cidade, e assim, o turista que aqui vem e que poderia se tornar um dos nossos propagandistas entusiastas e eficientes, decepcionado, retorna à sua origem e aqui não volta mais. Portanto, ou mudemos, ou fazemos tudo para melhorar o desenvolvimento do nosso Estado. A hora é esta, vamos votar em quem realmente resgatou a cultura, os costumes, o turismo e o desenvolvimento sustentável.
Advogado Prof: Jonas Costa
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