Por Gilberto Léda
Editoria de Política
Máquina
Candidato estaria "trocando" votos
O procurador regional Eleitoral no Maranhão, Juraci Guimarães Júnior, protocolou, na última sexta-feira (22) à tarde, no Tribunal Regional Eleitoral (TRE), ação de investigação judicial eleitoral contra o quarto suplente de deputado e candidato a uma vaga de titular na Assembléia Legislativa Afonso Manoel (PSB) e sua esposa, Helena Ferreira, secretária de Saúde do Estado. Os dois são suspeitos de estarem usando a estrutura da Secretaria de Estado Saúde (SES) em favor da candidatura de Afonso.
O processo está embasado em denúncias de representantes do Grupo de Trabalhadores Rurais de São Jorge, em Pedrinhas. Segundo eles, existe um esquema para favorecer o marido da secretária, que teria cobrado votos em troca da assinatura de convênios para a construção de 400 kits sanitários na localidade.
A assinatura de convênios dessa natureza faz parte do projeto "Minha Unidade Sanitária", do Governo do Estado, que foi suspenso pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), recentemente, em Santa Helena, por uso político-eleitoreiro dos recursos. Na cidade de Grajaú, também há denúncias de uso de convênio entre o Estado e uma associação para beneficiar aliados do governador. Neste caso, o favorecido seria o tucano Rigo Teles.
Em todos os casos, o programa deveria visar à construção de fossas e banheiros em comunidades carentes, além de reforço ao desenvolvimento de ações de saúde nos municípios.
Conversa
De acordo com o que já foi apurado pelo representante do Ministério Público Eleitoral (MPE), os trabalhadores foram encaminhados pela chefa da Assessora Técnica e de Planejamento da SES, Maria Verano Martins, para uma conversa com o candidato. Durante a reunião - que, curiosamente, não contou com a participação da secretária Helena Ferreira - o candidato expôs as "condições" para a celebração do convênio.
O quarto suplente de deputado teria dito aos líderes comunitários que a verba para o projeto só seria liberada com a garantia de que toda a comunidade beneficiada pelos kits votasse nele.
Se a denúncia for confirmada e o candidato condenado, Afonso Manoel pode perder o registro da candidatura e, ainda, ficar inelegível por três anos.
Não é a primeira vez
E essa não é a primeira denúncia desse porte contra o quarto suplente Afonso Manoel. Matéria publicada por Veja Agora em sua edição de número 314, dia 27 de agosto, já revelava o uso da máquina administrativa em prol da candidatura do marido da secretária de Saúde.
À época, o candidato foi flagrado fazendo campanha na Clínica de Atendimento à Mulher (Cegine), na Rua Rio Branco. A clínica é mantida com verbas do SUS (Sistema Único de Saúde) e, portanto, enquadra-se no rol de locais onde é proibida a veiculação de propaganda eleitoral.
Lá, entretanto, nossa equipe de reportagem encontrou diversos cartazes e adesivos com propaganda alusiva à candidatura de Afonso Manoel a uma vaga como titular na Assembléia Legislativa.