Degradação
Moradores convivem com o perigo
A humilhante condição de viver embaixo da linha da pobreza é uma realidade social de nossos dias nas casas de milhares de pessoas. A população que se espreme embaixo da ponte Bandeira Tribuzzi, disputando um exíguo espaço sob o teto de concreto - para ficar sob a chuva - conhece bem as agruras deste cotidiano.
Convivendo com a sujeira que se espalha por todos os lados, os moradores não têm qualquer tipo de proteção contra as ratazanas que invadem seus barracos. Quando a maré sobe, o lixo que é jogado nas águas invade o quintal dos barracos e fica represado nas portas dos fundos.
Ali não há saneamento nem tratamento algum dos esgotos. Fezes, restos de comida e todo tipo de lixo orgânico se acumulam no terreno, num chamariz para a proliferação de ratos, que encontram alimento em abundância para se desenvolver e reproduzir. Os animais começaram a atacar as pessoas há pouco tempo.
A menor S.S.R, de 10 anos, foi mordida por um rato enquanto dormia. Na escola, sentiu febre e foi levada para casa pela assistente social. Na casa da criança, seu irmão menor é alvo de constante vigilância da mãe. São muitas as tocas de rato no chão de terra batida, próximas à cama onde dormem.
Francisca de Fátima Sousa, avó da criança atacada, mora há 19 anos num barraco em frente, com o marido e mais dois filhos. No espaço minúsculo, quatro pessoas se amontoam em dois cômodos construídos com pedaço de madeira e restos de lixo. A única renda dos quatro moradores é cinqüenta reais mensais do Bolsa-Família. O esposo de Francisca trabalhava catando latinhas, mas agora está doente e já não sai para a rua. A situação de miséria só piora: "Quando falta água e a gente não tem como lavar as louças, os ratos sobem na mesa para comer os restos de comida. De vez em quando, a gente está dormindo e ouve as louças caindo: são eles entrando pelos buracos e derrubando tudo. Aqui tem uma gata, mas ela tem é medo das ratazanas, que são maiores do que ela", conta Francisca.
Enquanto isso, tudo vai bem na capital do Maranhão. Pelo menos aos olhos do prefeito Tadeu Palácio, que alardeia na mídia seus feitos de iluminação pública, saneamento e urbanização. Gastando cifras faustosas com propaganda e triplicando os salários de seus aliados políticos para que estes possam fazer campanha eleitoral, o administrador municipal não vê, quando passa por ali, que o povo precisa de dignidade e habitação, antes de tudo.