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Lula faz esforço de mídia e pode ir ao debate da Globo



Data de Publicação: 26 de setembro de 2006
 
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Reta final
Presidente quer manter liderança

Na última semana de campanha, o presidente-candidato Luiz Inácio Lula da Silva decidiu ocupar espaços de rádio e TV com audiência popular, num esforço para manter a vantagem que as pesquisas ainda lhe conferem para ser reeleito no primeiro turno, apesar da chamada "crise do dossiê."

Depois de falar ontem para três emissoras de rádio do Rio e São Paulo, Lula dará entrevista amanhã ao vivo para a TV Record, da Igreja Universal do Reino de Deus. No dia seguinte, dará nova entrevista para emissoras rádio do Nordeste, e pode até participar do debate com os candidatos que a TV Globo transmite na noite de quinta-feira.

"Estamos tentando ocupar todos os espaços possíveis para equilibrar o noticiário negativo em torno do dossiê", disse um dos coordenadores da campanha de Lula. "Se necessário, Lula vai também ao debate, mas só vai decidir sobre isso na véspera ou até mesmo no dia do programa."

Além das entrevistas, Lula tentará estimular eleitores e militantes do PT em comícios em Porto Alegre, onde o tucano Geraldo Alckmin abriu vantagem nas pesquisas de setembro, em Belo Horizonte, terça-feira, e São Bernardo, na quinta. A noite de quarta pode ser usada para outro comício ou para a avaliação final sobre o debate da Globo.

"Ninguém defende melhor o governo, o PT e o Lula do que o próprio Lula, por isso é importante esse contato mais próximo com os eleitores, no rádio, na TV e nos comícios," acrescentou outra fonte, esta, da direção nacional do partido.

A direção do PT e o comando da campanha entraram em alerta com a divulgação, sábado à noite, da pesquisa Ibope indicando que a vantagem de Lula sobre os adversários teria caído a apenas 3 pontos, contra os sete pontos indicados na pesquisa Datafolha, divulgada na manhã daquele dia.

Anteontem, depois que Lula voltou a dizer em comícios no interior de São Paulo que o objetivo é vencer no primeiro turno, dirigentes do partido e ministros passaram a divulgar números de pesquisas não oficiais, tentando desqualificar os resultados do Ibope e ratificar os do Datafolha.

"Houve mesmo um recuo de Lula, não tão grande como aponta o Ibope, e um avanço de Alckmin, apenas dele, e uma queda também de Heloísa Helena, que só o Datafolha captou", comentou o dirigente petista. "Lula precisa falar muito com seus eleitores esta semana para impedir que o movimento prossiga", acrescentou a fonte.

A participação de Lula no último debate estava totalmente descartada antes do novo escândalo, embora a campanha venha cumprindo uma agenda formal de negociação das regras com a TV Globo. O impacto eleitoral do programa, em parte transmitido na madrugada de sexta-feira, sempre foi considerado irrelevante pelos lulistas.

O presidente-candidato pode mudar sua decisão levando em conta a evolução das pesquisas (caso o Ibope esteja mais próximo da realidade que o Datafolha). Pesará também uma análise sobre o impacto negativo que sua ausência pode eventualmente provocar sobre a militância "ferida e provocada como nunca", na expressão desse dirigente do PT.

Lula também poderia usar o debate para reforçar sua defesa no chamado escândalo do dossiê, especialmente se confirmada a expectativa de que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) corte boa parte do tempo da coligação governista nos dois últimos programas de TV previstos para terça e quinta-feira. No que restar de tempo, os dois últimos programas devem fazer uma abordagem mais incisiva sobre o assunto do que tem sido feito até agora, disseram as fontes.

O principal argumento contrário à participação de Lula no debate, de acordo com um coordenador da campanha, é a possibilidade de maus momentos do presidente-candidato serem amplificados, na sexta e no sábado, pelas emissoras de rádio, justamente o veículo mais próximo de seus eleitores.

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