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O prego no caixão



Data de Publicação: 27 de setembro de 2006
 
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O governador José Reinaldo começou a semana com uma péssima notícia: não vai poder escolher os desembargadores que deveriam ser indicados para compor o Pleno do Tribunal de Justiça do Estado. O governador, que chegou a comprar, segundo denunciou o deputado Carlos Braide, o apoio da maioria da bancada na Assembléia Legislativa, para se livrar do impeachment, ardilosamente tentou montar um esquema para, no futuro, tentar escapar das ações na Justiça local que certamente virão quando for aberta a caixa preta de sua administração.

O projeto do governador de abarrotar o TJ com nomes como Raimundo Marques, Ulysses Sousa e outros fiéis aliados começou a ser posto em prática quando o desembargador Galba Maranhão, presidente do Judiciário maranhense, mandou para a Assembléia a proposta de criação de uma só vaga no Colégio de Desembargadores. Oportunista, José Reinaldo viu na medida uma chance de manobrar para no futuro ficar com uma "bancada" na nossa mais alta corte. Um dos seus aliados mais caninos, o deputado Stênio Rezende apresentou uma emenda ao projeto do TJ criando não só uma vaga, mas três vagas além da proposta pelo tribunal.

O objetivo era criar condições para que o próprio governador, através da escolha de listas de candidatos, pudesse nomear aqueles mais identificados com o seu "modus operandi".

Para isso, o próprio governador mandou dizer aos magistrados que estava disposto a bancar os custos da alteração do número de desembargadores de 20 para 24 membros. E foi mais longe: mandou um emissário seu, o próprio chefe da Casa Civil, Aziz Tajra, que fosse ao Tribunal de Justiça se comprometer com a imediata implantação dos 4 novos gabinetes.

Por diversas vezes, dissemos neste espaço que a vontade do governador e sua tentativa de ficar ao largo do braço longo da lei não encontraria guarida naquela corte. E mais: dissemos que o Ministério Público iria se manifestar e pedir ao Supremo Tribunal Federal que declarasse a inconstitucionalidade do projeto de Stênio Rezende.

A decisão do procurador da República, Marcílio Medeiros de representar junto ao procurador-geral da República, pedindo que se proceda o pedido de anulação da lei é apenas um ato que visa a resguardar a legitimidade do processo, mas fere de morte as pretensões de José Reinaldo de escapar da lei.

Como o futuro do governador se prenuncia sombrio, a falta do lastro que ele pretendia criar no Tribunal de Justiça joga por terra todo seu projeto de tentar interferir no TJ. Assim, José Reinaldo e todos aqueles que acreditaram na impunidade de seus atos devem começar a se preocupar verdadeiramente com seu futuro e com a possibilidade de vir a ter que prestar contas de todo o butim que submeteram o Maranhão nos últimos quase cinco anos.

No próximo domingo, o Maranhão vai às urnas. E vai dizer de forma clara e cristalina que rejeita os métodos reinaldistas de governar. Vai dizer que a trinca de candidatos que ele escolheu para tentar submeter a nossa gente a um regime de medo e de truculência não terá o referendo para a continuidade desse escandaloso processo de enriquecimento pessoal e de sua caótica administração.

No domingo, o Maranhão vai colocar o prego no caixão da carreira política de um homem que chegou ao ponto mais alto da administração estadual graças à liderança de Roseana e de Sarney, mas que depois os traiu covardemente, para atender os caprichos de uma mulher que veio, enriqueceu e se mandou, mas que como ele, um dia vai prestar contas à Justiça e ao povo do Maranhão.

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