Seja quem for o próximo presidente, a partir do ano que vem ele terá de enfrentar um período de severos cortes nos gastos públicos. Ao contrário do que ocorreu em 2006, com aumento do salário mínimo e ampliação dos programas de assistência social, deve iniciar-se em 2007 um tempo em que o governo terá de dar sinais claros aos investidores internacionais de que pode controlar suas despesas públicas e permitir um maior crescimento econômico do país.
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse que o governo Lula já está se preparando para isso caso consiga a reeleição. “Logo na abertura dos trabalhos do Congresso deveremos entrar com uma proposta de reforma fiscal”, disse. A idéia é fazer com que a despesa pública continue aumentando, mas num ritmo inferior ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). “Com essa sinalização, vamos acelerar a atração de investimentos e dar condições para o Banco Central trabalhar com mais conforto a fim de reduzir a taxa de juros. O BC terá um horizonte de dez anos para trabalhar.”
Com o mesmo objetivo, o candidato do PSDB, Gerado Alckmin, defende a regulamentação do fundo de pensão dos servidores e um enxugamento na estrutura de governo. Para o tucano, o desequilíbrio fiscal é o maior impeditivo para o crescimento da economia. Ele promete cortar o gasto com o custeio da máquina e aumentar os investimentos em infra-estrutura, além de cortar a carga tributária.
Nenhum dos dois candidatos, porém, aprofunda-se na questão da Previdência, cujo déficit - estima-se - chegará a 46,2 bilhões de reais no ano que vem. Alckmin sustenta que o déficit pode ser reduzido se mais pessoas deixarem de trabalhar no mercado informal. Por isso, uma reforma previdenciária não poderá ocorrer dissociada de uma reforma trabalhista. Lula diz que o sistema previdenciário precisa ser reformado periodicamente.