O pacote de medidas anunciado na terça-feira pelo governo com o objetivo de forçar a queda dos juros bancários será incrementado na próxima semana. Segundo o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Júlio de Almeida, as demais normas prometidas pela equipe econômica, como o crédito consignado para pequenas e médias empresas, estão em fase de conclusão. Para o segmento imobiliário, o governo estuda 15 medidas.
Para analistas, as medidas já apresentadas pelo Conselho Monetário Nacional para incentivar a concorrência no setor financeiro terão efeito limitado sobre os juros, mas têm um lado positivo. Mostram que o governo começa a ceder à pressão da sociedade para baixar taxas bancárias, diz o vice-presidente da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade, Andrew Frank Storfer.
O executivo destaca pelo menos dois pontos positivos no pacote: a portabilidade de dívidas e da conta-salário de um banco para outro. O pacote, pondera o economista, manteve corretamente o foco no spread (a diferença entre a taxa de captação e de empréstimo de capital pelos bancos), mas, por si só, não basta.
- As medidas não resolvem o problema dos juros - diz. - Essa situação está aí porque o governo gasta muito e mal, senão, não seria tão tomador de empréstimos a taxas elevadas.