O governador Jackson Lago assumiu o governo com uma opção administrativa bem definida: a de dar continuidade - ainda que parcialmente - aos desmandos praticados pelo nefando ex-governador José Reinaldo Tavares. Ao promover a manutenção de 8 dos secretários daquele que comandou a mais anárquica administração dos últimos 50 anos do Maranhão, Jackson confere legitimidade a um governo marcado por severas denúncias de corrupção e malversação de dinheiro público. Algumas dessas pastas foram sinônimos de práticas escandalosas de desvio de recursos do povo do Maranhão para contas pessoais.
Nossa postura em 2007 será rigorosamente a mesma que adotamos nos últimos dois anos para combater os descalabros de José Reinaldo e de parte de secretários que, a despeito de nossa incansável vigília cívica, preferiram montar uma verdadeira quadrilha diuturnamente disposta a dilapidar o patrimônio do povo do Maranhão. Não compactuaremos com atos que mantenham o mesmo nível de corrupção mantido no governo anterior. Não seremos complacentes com quem, a exemplo do que já ocorreu nos últimos quatro anos e dez meses, trilhar o caminho do desvio moral e da conduta desonesta no trato com a cousa pública.
O crime contra o povo do Maranhão não terá de nós a condescendência que foi exercida com danosa repetência entre alguns veículos de comunicação de nosso estado. Quem roubar - repetindo o governo que se exauriu moralmente e que findou de forma melancólica no último dia 31 de dezembro - vai encontrar neste diário a mais veemente repulsa. E será levado à execração pública, posto que tal prática é fonte geradora de danos irreparáveis à nossa gente, provocando fome, miséria, dor e morte de milhares de maranhenses.
Na sua fala no ato de transmissão de cargo, o governador principiante disse que o Maranhão agora não terá dono. Precisa, antes de fazer sua oratória demagógica e repetitiva, fazer a faxina moral que os maranhenses disseram nas urnas que queriam que ele fizesse. Para isso, para fazer a limpeza da podridão administrativa que se instalou no Maranhão no último governo, Jackson Lago terá que cortar na própria carne e extirpar o tumor maligno que se enraíza na mesma estrutura administrativa que ele, agora, quer manter no poder.
Toda a base política de seu governo está comprometida com esse câncer político-administrativo que foi o governo de José Reinaldo. Chega de demagogia! Basta de filosofice barata e demagógica.
Para mostrar que vai fazer o que disse no palanque, Jackson terá que provar na prática, de forma cabal, que não está amarrado aos cordéis do ex-governador. É preciso, antes, provar que não é apenas um ventríloquo do seu antecessor.
Qualquer passo em falso, qualquer retrocesso à política criminosa e corrupta do desgoverno reinaldista receberá de nós o destaque que merece, fazendo com que a opinião pública tenha conhecimento que entre o verbo e a ação e que os arautos da moralidade podem passar a agentes do mesmo crime que diziam combater.
Exemplos recentes de práticas danosas ao nosso país e ao nosso estado servem para ilustrar o que falsos profetas podem fazer. Se o discurso de campanha não se confirmar em atos e se as práticas herdadas do governo corrupto de José Reinaldo forem aplicadas no novo governo, aqui estaremos para denunciar e revelar, sem a mínima condescendência, quem que não basta apenas ter a aparência de honesto, mas sê-lo!