Mau começou
Jackson mantém líderes em casos de corrupção no governo
Ney Belo e Lourenço ficam
Se, por um lado, a divulgação da lista oficial do secretariado do governador Jackson Lago (PDT), no último sábado (30), pôs fim ao mistério e às especulações em torno dos escolhidos, por outro, causou entre o meio político muita desconfiança.

Durante a cerimônia de posse dos novos secretários de estado, ontem pela manhã (2), no Palácio Henrique de La Rocque, foi motivo de polêmica, principalmente, a manutenção de Lourenço Vieira da Silva na Secretaria de Estado da Educação (SEEDUC) e de Ney Belo na Secretaria de Infra-Estrutura (SINFRA).
Mesmo segundo alguns aliados, os dois foram alvos de muitas denúncias de corrupção, envolvendo - na maioria dos casos, supostas fraudes em processos licitatórios - e a permanência deles no cargo atrelaria o governo Jackson à pior parte da administração de José Reinaldo (PSB).
"Mantendo esses dois onde estão, o novo governador já fica marcado pelo que mais se criticou em José Reinaldo. Agora é esperar que, sob novo comando, eles possam ser mais vigiados para que não cometam nenhuma irregularidade", comentou um deputado governista, que preferiu não se identificar.
Histórico
O histórico dos dois secretários é repleto de acusações e denúncias de corrupção. Na educação, o maior escândalo envolveu a suposta compra de livros didáticos superfaturados de micro-empresas instaladas em Recife e no Sul e Sudeste do país.
Na ocasião, o secretário Lourenço Vieira da Silva e a secretária-adjunta, Anny Kristen, foram acusados de ter efetuado compras de livros no valor de até R$ 128,72 a unidade - e uma das editoras teria sido indicada pelo casal Nelson Piquet e Éricka Braga, amigos pessoais da ex-primeira-dama do Estado, Alexandra Miguel Cruz.
No total, o suposto esquema teria lesado os cofres públicos em nada menos que R$ 19.491.409,50.
Na Infra-Estrutura - principalmente pela maior amplitude orçamentária - as denúncias de esquemas atingiram cifras ainda maiores. Só em convênios, foram mais de R$ 200 milhões gastos com prefeituras de aliados e, nos municípios onde os prefeitos não eram aliados, associações e fundações supostamente filantrópicas.
Pesou, ainda, contra o secretário Ney Belo a denúncia de fraude em 277 licitações por cartas-convite, que lesariam o erário em mais de R$ 33 milhões.
Nesse caso específico, eram os prefeitos aliados quem indicariam as obras a serem pagas pelo governo. Na maioria dos casos, as obras já existiam e, mesmo assim, o secretário Ney Belo iria pagar novamente por elas.
Após sucessivas denúncias de Veja Agora - cuja equipe de reportagem chegou a ser impedida de entrar no prédio da Secretaria de Infra-Estrutura - e a participação ativa de empresários que não estavam no esquema, o chefe da pasta suspendeu as concorrências e simulou um pedido de investigação do Ministério Público, por ter descoberto as irregularidades que já haviam sido denunciadas neste matutino.
Apesar disso, são esses dois dos secretários com os quais o governador Jackson Lago quer contar. A decisão já foi tomada e, agora, ele pode pagar caro por ela.