Isso é libertação?
Mudando com os mesmos
O governador eleito, Jackson Lago, começou o governo da "libertação" preso à mesma turma que durante quase cinco anos transformou o Maranhão num feudo e dele se locupletou sob o comando de um governante considerado pela revista "Poder" como o mais corrupto e irresponsável, que foi o ex-governador José Reinaldo.

Depois de hesitar por mais de dois meses entre as centenas de candidatos a uma vaga no novo governo e se ver, enfim, refém de alguns grupos, Jackson finalmente se decidiu sobre seu secretariado. Para isso, demonstrou que alguns políticos serão descartáveis e terão um papel secundário no seu governo. Antes de conseguirem algum cargo de relevância, terão que demonstrar fidelidade ao seu governo, num teste em que poucos poderão ser aprovados, já que a base em que se sustentou sua candidatura está repleta de políticos que já juraram apoio a outras lideranças e depois os traíram.
Um dos políticos de expressão regional que foi alijado do poder foi deputado federal de Imperatriz, Sebastião Madeira (PSDB). O tucano nunca foi tido como confiável pelos pedetistas históricos, porque sempre se opôs à montagem de uma frente de oposição, preferindo que o PSDB concorresse em todos os pleitos majoritários. Na visão dessa corrente histórica dos pedetistas, a candidatura de Roberto Rocha em 2002, estimulada por Madeira, impediu o crescimento de Jackson que, naquela época poderia ter batido José Reinaldo no 1º turno.
O próprio Roberto Rocha que, dizia-se, teria um papel importante no governo de Jackson, sequer foi convidado para alguma pasta e se isolou em Brasília, preferindo ir, junto com Madeira, à posse do governador paulista José Serra a participar da solenidade de posse de Jackson.
Outro político que participou da frente governista, mas que ficou sem poder de fogo no novo governo foi o presidente da Assembléia Legislativa, o também tucano João Evangelista. Apesar de estar usando parte da mídia - inclusive roseanistas - para dizer que tem os votos necessários para se reeleger e que contaria com o apoio de Jackson, ainda não se ouviu nenhuma manifestação explícita do novo governador em favor de Evangelista que, ao que parece, terá que enfrentar os dois grupos de parlamentares que ameaçam sua candidatura.
Do grupo de políticos de Caxias, Tuntum, Santa Inês e Timon, representados pelos prefeitos Humberto Coutinho, Cleomar Tema, pelo deputado Ribamar Alves e pelo ex-prefeito Chico Leitoa, respectivamente, também foram sumariamente alijados do processo de indicação de nomes para o primeiro escalão. Os dois primeiros ameaçavam pressionar o governador eleito para impor o nome da deputada Cleide Coutinho para a Secretaria de Saúde ou, então, pela manutenção de Helena Duailibe no cargo, de olho na manutenção de seus esquemas regionais. O deputado Ribamar Alves chegou até a ser cotado para uma das pastas, mas teve seu nome vetado por Domingos Dutra, que considerou que o PSB tinha mais gente no primeiro escalão do que merecia.
O único desses políticos interioranos que tem alguma possibilidade de ocupar um cargo de relevância é o ex-prefeito timonense Chico Leitoa, que deve ser indicado para ocupar o Deint (Departamento Estadual de Infra-Estrutura), mas pela quota do PDT e não pela sua relevância política.
Refém

O desenho do novo secretariado mostra que, por algum motivo, Jackson Lago se transformou num refém do ex-governador Jackson Lago. Das trinta pastas com status de secretaria, 8 ficaram em mãos de ex-assessores de José Reinaldo, sendo que algumas delas são cruciais para que seja feito um diagnóstico acurado da situação administrativa e financeira do Maranhão, como as secretarias de Fazenda, (José Azzolini), Infra-Estrutura (Ney Belo), Educação (Lourenço Tavares) e Ciência e Tecnologia (Othon Bastos, exatamente as que estiveram no epicentro dos escândalos do governo de José Reinaldo.