O promotor Munkith al-Faroon, que nas imagens do enforcamento aparece pedindo ordem, disse ontem que ameaçou ir embora se os gritos não parassem - e isso teria interrompido a execução, já que a presença de um observador do Ministério Público é obrigatória por lei.
"Ameacei ir embora", Faroon disse. "Eles sabiam que, se eu fosse, a execução não poderia continuar." As imagens irritaram os sunitas, os xiitas moderados e os curdos.
As pessoas que assistiam ao enforcamento começaram a gritar "Moqtada, Moqtada, Moqtada", em referência ao líder xiita radical Moqtada al-Sadr. Saddam, por outro lado, aparece nas imagens com um semblante digno e responde: "É isso que vocês chamam de humanidade?".
Enquanto o governo iraquiano investigava como celulares com câmeras de vídeo entraram no local da execução, o promotor questionou o relato do ministro da Justiça e de seu assessor, que afirmaram que a gravação das imagens foi feita por um guarda. Faroon afirmou que uma das duas pessoas que estavam filmando era um representante do governo.
"Duas autoridades estavam segurando celulares com câmeras. "Um deles eu conheço. É uma autoridade do alto escalão do governo", disse Faroon, recusando-se a identificar o homem. "O outro também conheço de vista, mas não sei o nome." "Não sei como eles conseguiram entrar com o celular, porque os norte-americanos pegaram todos os telefones, até o meu, que não tem câmera."
As imagens da execução divulgadas pelo governo não têm som, e mostram a colocação do laço no pescoço de Saddam. Os vídeos ilegais trazem os xingamentos, o momento em que o cadafalso se abre, deixando ex-presidente pendurado e com o pescoço quebrado.