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Chinaglia quer prévia para ver quem será o presidente



Data de Publicação: 4 de janeiro de 2007
 
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Tudo ou nada
Chinaglia propõe prévia para escolher candidato à Câmara
Briga esquenta em Brasília

O candidato do PT à presidência da Câmara, Arlindo Chinaglia (SP), propôs ontem uma prévia informal dentro da base aliada do governo para decidir entre ele e o atual presidente da Casa, Aldo Rebelo (PC do B-SP), para concorrer ao cargo em fevereiro. “Eu proponho e estou disposto, no esforço de ter uma candidatura única, me submeter a uma reunião ampla ou prévia como mecanismo limpo de escolha”, disse.

Chinaglia e Aldo disputam o apoio não só dos partidos da base do governo como também da oposição para vencer a eleição marcada para primeiro de fevereiro. A tentativa de acordo entre ambos para uma candidatura única está cada vez mais distante e essa consulta, segundo Chinaglia, poderia diminuir a tensão. “E acho que ganho a prévia”, afirmou o petista, que é o líder do governo na Câmara.

Antes de propor a prévia, Chinaglia encontrou-se rapidamente com o presidente do PMDB, o deputado Michel Temer (SP). Foi reforçar a Temer o apelo do PT para que o PMDB o apóie dentro da Câmara. Chinaglia repetiu a Temer que o critério da proporcionalidade deve ser respeitado: o PMDB, que terá a maior bancada a partir de fevereiro, deveria apoiar o PT, segunda maior bancada, se não lançar candidato à presidência.

Chinaglia usa esse argumento porque o regimento e a Constituição dizem que os cargos na mesa diretora da Câmara devem ser ocupados de acordo com a proporção das bancadas, tendo a maior o direito de indicar o presidente. O petista ouviu de Temer que a bancada do PMDB decidirá na próxima semana o caminho que será tomado nessa briga.

Mais cedo, Temer reuniu-se com Aldo. O presidente da Câmara disse a Temer que poderia oferecer ao PMDB o compromisso de diversas legendas para que os peemedebistas ocupem a presidência da Casa a partir de 2009 em troca de apoio à sua reeleição agora em 2007.

“Eu disse a ele que posso consultar os partidos que me apóiam para elaborar um documento pedindo apoio à minha candidatura e reconhecendo o direito do PMDB de assumir a presidência da Câmara em 2009”, disse Aldo. “Eu deixei a critério dele examinar isso”, respondeu Temer.

O acordo oferecido por Aldo é semelhante ao que PT sugeriu ao PMDB em troca de apoio à candidatura de Chinaglia, em um documento assinado pelos petistas. A atitude de Aldo foi, ironicamente, elogiada pelo petista. “Eu vejo isso como um elogio porque mostra que demos um passo correto. E a nossa carta entregue ao PMDB foi conseqüência de uma conversa com outros partidos também”, disse.

Os aliados de Aldo avaliaram que sua candidatura parte com os votos de 200 dos 513 deputados, incluindo parlamentares de PSB, PC do B, PFL, PP, PL, PSDB e do próprio PT.

A presidência da Câmara é sempre o cargo mais cobiçado da Casa, principalmente pela base do governo. Como diz um antigo funcionário da Câmara, “nada se faz e se anda sem o presidente”.

Apesar de, democraticamente, sempre ouvir os líderes partidários, o presidente da Câmara tem, por exemplo, a prerrogativa de definir a pauta de votações, comandar e gerenciar as sessões de plenário e, o principal para um governo: decide se aceita ou arquiva representações que pedem o “impeachment” do presidente da República.

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