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Estamos na Idade Média



Data de Publicação: 5 de janeiro de 2007
 
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A divulgação do relatório da Controladoria-Geral da União (CGU), no último dia 29 de dezembro, e publicado com exclusividade por Veja Agora nas edições de ontem (4) e hoje (5), contendo graves denúncias de corrupção envolvendo a aplicação de recursos federais pela Prefeitura Municipal de Coroatá, revela uma triste face da administração pública maranhense. Em Coroatá, há apenas uma pequena amostra do que, com certeza, ocorre na esmagadora maioria dos 217 municípios do nosso estado. O que é um dado alarmante.

Do relatório da CGU, consta de um calhamaço de irregularidades que, por si só, já seriam suficientes para derrubar qualquer administrador em qualquer órgão ou empresa pelo mundo todo.

Em qualquer órgão ou empresa sérios. Houve a constatação de irregularidades na aplicação de recursos do FUNDEF; tentativa de comprovação de gastos de verbas do Ministério da Educação com notas fiscais roubadas; contratação e pagamento de fornecedores sem licitação; uso de recursos destinados ao pagamento de abono aos professores para outros fins; dentre várias outras evidências de malversação do dinheiro público. São dados confirmados pelos fiscais – respaldado pelo fato de estarem representando uma instituição Federal -, que foram ao município, avaliaram balanços financeiros, instituições, fotografaram provas, entrevistaram funcionários públicos. Um trabalho de investigação digno dos mais bem bolados filmes policiais norte-americanos. Mas o Maranhão não é Hollywood e o nosso cotidiano não é um filme. Assim, o máximo que deve acontecer, é uma entrevista mais exaltada de um vereador na TV Cidade de Coroatá, cobrando moralidade na administração pública coroataense; uma declaração do procurador-geral de Justiça dizendo que o Ministério Público tomará providências; ou, quem sabe, até uma coletiva do prefeito, Luís da Amovelar, negando tudo – aí já é mais complicado, pois ele, mesmo depois de tudo comprovado, não deu um pio sequer, nem mesmo quando instado a tal pelos fiscais da Controladoria.

E só! Estivéssemos num país sério, esse prefeito (e todos os outros corruptos como ele) já estaria fora da Prefeitura, quiçá na cadeia. Os históricos de falcatruas e picaretagens já perpretadas por Luís da Amovelar em Coroatá daria para encher um livro, e dos bem grossos.

Mas não. Estamos no Maranhão. E o Maranhão está no Brasil. Nada vai acontecer além das chamadas de primeira página, de quinta e sexta-feira, em Veja Agora, e pronto. O prefeito continuará administrando tranqüilamente – com o apoio dos seus asseclas e de representantes da Justiça que o dão guarida, como já é rotina no interior - e nós, idiotas que somos, continuaremos pagando a conta de ladrões como esses que, dia após dia, nos roubam descaradamente como se tivéssemos mesmo de viver para lhes pagar as regalias das quais usufruem. Como se seus servos fôssemos e nada além de pagar-lhes impostos nos coubesse.

Até cabe, mas a inércia e a pressão dos poderosos impedem que movimentos moralizadores do nosso país sejam mais que apenas embriões de idéias inovadoras. Querem mesmo é que perdure a Idade das Trevas, como foi chamada no passado. Estamos na Idade Média.

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