Do mal
Deputado quer destruir a classe
Recém-empossado secretário-chefe da Casa Civil, o ex-deputado Aderson Lago (PSDB) começa a se transformar no inimigo público número um dos professores da rede estadual de ensino. Grande articulador da revogação, no plenário da Assembléia Legislativa, de artigos do Estatuo do Magistério que garantiam a progressão do interstício e as gratificações da categoria, o deputado já trama novas investidas.

Em entrevista a um programa de TV local, ontem à tarde (4), o tucano disse que vai contar com o apoio do governador Jackson Lago (PDT) para manter as decisões tomadas pelo plenário da AL.
E mais: declarou que concorda com o salário-mínimo adotado pelo ex-governador José Reinaldo (PSB) – de apenas R$ 303,00 - e que vai pressionar o novo governador para que mantenha os vencimentos dos trabalhadores maranhenses nesse patamar, o que atinge diretamente a classe dos professores.
Reação?
O presidente do Sinproesemma (Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica das Redes Públicas Estadual e Municipais do Estado do Maranhão), professor Odair José, ensaiou uma reação – ele já foi acusado de ter participação em esquemas com deputados para prejudicar a classe em prol de uma cadeira na Câmara Municipal, onde é suplente de vereador -, convocando uma Assembléia Geral para a semana que vem, mas parece pouco acreditar que consiga fazer a categoria se recuperar da rasteira tramada por Aderson.
Em entrevista a um programa de rádio local, ele – que só soube do golpe depois que a imprensa local deu o alerta - argumentou que os professores apoiaram a candidatura do governador Jackson Lago e que isso deve ser analisado para a tomada de decisões em prol da classe.
“Pedimos votos para o atual governador, porque acreditamos que ele tem condições de fazer um bom Governo. E um dos aspectos que nos levou a crer foi a forma pela tradição democrática que tem o nosso atual governador. Espero que o Governo tenha habilidade e sensibilidade, para desfazer isso que foi feito”, afirmou Odair José.
A reunião dos professores está marcada para a próxima quarta-feira (10), na sede do Sindicato, e pode definir o início de mais uma greve da categoria. “Seria uma medida contundente, mas em resposta a uma atitude também contundente”, justificou Odair José, em entrevista a Veja Agora.