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Metendo o Bedelho



Data de Publicação: 5 de janeiro de 2007
 
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Professor Caio
metendoobedelho@jornalvejaagora.com.br


A SAÚDE PÚBLICA E SUA HIPOCRISIA
*Hostilio Caio Pereira da Costa
A saúde pública brasileira está falida por falta de consciência, comprometimento e respeito com a grande parte da população que utiliza os serviços médicos oferecidos, não é por falta de verba, mas sim por falta de uma administração voltada para o bem-estar de seus usuários. O SUS - Sistema Único de Saúde foi criado com o intuito de melhorar os péssimos índices, porém não trouxe melhorias. Contudo este sistema é importantíssimo para que a descentralização na gestão hospitalar fosse concretizada. Ele seria de grande valia se os nossos governantes tanto estaduais quanto municipais fossem preocupados, honestos e, principalmente, juntamente com seus familiares, usuários de seus próprios sistemas de saúde. Verifica-se que muitos desses dirigentes dizem que falta verba para que seus sistemas funcionem coerentemente, isso não é verdade, uma vez que recebem as verbas destinadas mensalmente e verbas de projetos para construção de hospitais, aparelhamento e demais utilizações. Essas verbas, principalmente as de projetos são utilizadas, pela maioria dos dirigentes, de forma corrupta, haja vista que suas licitações são forjadas e superfaturadas. Para piorar a situação, existem municípios pólos que recebem uma fatia bem maior para atender pacientes de outras cidades, porém seus dirigentes alegam para a população que atendem esses pacientes sem receber nenhuma verba complementar e, por conseqüência, faltam medicamentos essenciais e leitos para todos. Veja a que ponto chega à falta de respeito com a saúde.

Por outro lado, não oferecem médicos especialistas que deveriam fazer parte daquele pólo, contratando apenas um Clínico Geral para fazer o papel dos especialistas, quando na realidade o papel do clínico geral é fazer as primeiras avaliações e encaminhar aos especialistas, que por ora não são oferecidos. Também a falta de respeito com os profissionais da saúde é imensa, uma vez que querem pagar muito mal e atrasam seus salários. Por sua vez, esses profissionais oferecem serviços de péssima qualidade, não tendo nenhuma preocupação com a enfermidade de seus pacientes. Por isso, os índices de óbitos são grandes, isso em patologias simples.

Outro fator de grande preocupação nessas unidades médicas é a falta de controle da infecção hospitalar, onde se verifica a falta de uma comissão preocupada realmente em melhorar os índices infectológicos, que geram patologias de difícil cura. As unidades hospitalares, que se dizem especialistas em Urgência/Emergência, não estão preparadas adequadamente para atender pacientes com vários tipos de enfermidade, porque faltam médicos especialistas, faltam enfermeiros, faltam medicamentos, faltam leitos nas UTIs, falta até oxigênio. Isso é falta de vergonha e respeito!

No entanto, existem hospitais de referência no Brasil, que podem servir de exemplo de saúde pública. Posso citar a Associação das Pioneiras Sociais, gestora da rede de hospitais Sarah, onde trabalhei por 12 anos, aqui em São Luís e em Brasília. Nessas unidades, existe uma preocupação verdadeira com seus pacientes, uma vez que são oferecidos médicos especialistas por patologia do aparelho locomotor, que vivem realmente a vida de seus pacientes, pois além de serem exclusivos para a rede, fazem pesquisas, já que não devemos dissociar a ciência da pesquisa. Outro fator importante nessas unidades é a conduta correta das atividades que dão suporte a atividade fim, a lavanderia, o setor de nutrição, o setor de manutenção, o setor de higienização, o setor de assistência social e os setores administrativos, onde seus profissionais são também exclusivos da rede, por isso existe o comprometimento com as necessidades de seus pacientes e, principalmente, com a coisa pública.

Porém podem alegar que estes hospitais da rede Sarah não oferecem os serviços de urgência/emergência, mas servem de espelho e referência com o uso correto do dinheiro público para que sejam criados hospitais especializados em urgência/emergência realmente comprometidos 24 horas, com profissionais exclusivos para atender a população dentro das exigências da Organização Mundial de Saúde. Também que sejam criadas unidades de atendimentos ambulatoriais realmente comprometidas com a saúde preventiva e não a curativa, que gera um custo bem maior e de fácil corrupção, que utilizem os programas saúde existentes para o bem-estar da população, pois assim veremos uma saúde comprometida com a população usuária.

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