Um grupo de deputados começa a discutir na Câmara, mesmo com chances pequenas de vitória, a possibilidade de lançar uma candidatura à presidência da Câmara como alternativa ao atual presidente, Aldo Rebelo (PC do B-SP), e ao líder do governo, Arlindo Chinaglia (PT-SP), que disputam a preferência da base aliada do governo.
Deputados de PV, PPS, PSDB, e até do PSB, que apóia Aldo, cogitam lançar candidato em duas hipóteses: se Aldo e Chinaglia chegarem a um acordo em torno de uma candidatura única ou se os dois decidirem disputar o cargo dentro do plenário no dia da eleição, marcada para primeiro de fevereiro.
Na primeira hipótese, numa briga que seria contra apenas um candidato da base aliada, esse grupo de deputados acha que pode lançar um nome capaz de disputar para valer a eleição. Já na segunda probabilidade, com Aldo e Chinaglia na disputa, esses parlamentares pensam em lançar somente um "anticandidato", em forma de protesto por conta das dificuldades em obter maioria para derrotar o candidato do governo.
Para o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), um dos articuladores desse movimento, é importante que haja um nome alternativo mesmo que seja para perder. "Esse núcleo em torno de Aldo e Chinaglia não satisfaz. Nenhum deles apresenta um projeto para moralizar o legislativo", afirmou, ao descartar a possibilidade de ser o candidato para concorrer e vencer a eleição na Câmara.
"Precisa ser um candidato capaz de angariar votos. Eu, depois da CPI dos Sanguessugas, não sou a pessoa ideal para isso. Não sou muito querido", disse, admitindo, porém, que poderia assumir o papel de "anticandidato" se Aldo e Chinaglia forem a plenário. "Posso ser anticandidato só para brigar e apresentar um programa e mostrar a lacuna que essas candidaturas deixam. Mas não seria para vencer", afirmou, embora haja na história da Câmara uma experiência semelhante em que um candidato considerado "azarão" acabou ganhando a eleição: Severino Cavalcanti (PP-PE) em fevereiro 2005.