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Golpe nos mestres



Data de Publicação: 6 de janeiro de 2007
 
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Não, o título acima nada tem a ver com o famoso filme Golpe de Mestre, dirigido por George Roy Hill e com Robert Redford, Paul Newman, Robert Shaw e Charles Durning no elenco, que foi vencedor de 7 Oscars. O que vamos tratar é do golpe aplicado nos humildes professores maranhenses pelo líder da oligarquia lacustre, Jackson Lago e seu primo, ex-inimigo e agora conselheiro, confidente e secretário-chefe da Casa Civil do Governo do Estado, Aderson Lago.

Outrora pedra de estilingue e um dos grandes incentivadores de desobediência civil dos professores contra todos os governos que passaram pelo Palácio dos Leões, Aderson Lago agora se vê na incômoda posição de vidraça, alvo da ira dos mesmos profissionais que ele tanto incitou contra as autoridades constituídas. Aderson, agora, é o inimigo público número 1 dos professores.

Afinal, foi por sua intervenção que os deputados aliados do finado governo do trágico José Reinaldo, aprovaram na Assembléia Legislativa, o projeto de reforma administrativa que abrigava no seu bojo a retirada do Estatuto do Magistério dos artigos 54, 55, 56 e 57 que tratavam, exatamente, da composição da tabela salarial dos docentes, pilares das conquistas sociais dos professores durante o governo de Roseana.

Segundo disse o professor Júlio Guterres, diretor financeiro do sindicato da categoria, a supressão dos artigos não constava do projeto original enviado à Assembléia e teria sido "contrabandeado nas caladas da noite" por Aderson Lago a mando do então futuro governador Jackson Lago.

Guterres tem sido o interlocutor da categoria junto à sociedade porque o atual presidente do Sinproesemma, Odair José, caiu no mais completo descrédito junto aos professores do estado. Ele quis usar o sindicato como trampolim político para se eleger deputado e, depois, vereador e acabou comprometendo os interesses da classe ao colocar, lado a lado com governistas parlamentares que sempre defenderam os mestres. Ao trabalhar pela eleição de Jackson Lago, sob, segundo dizem, o compromisso de assumir uma cadeira na Câmara Municipal, Odair José relegou a um segundo plano a defesa da classe que o elegeu e agora, não sabe explicar a seus colegas porque seus aliados de oportunidade aplicaram o golpe nas suas conquistas.

Odair José terá um encontro com a categoria na quarta-feira. Ele vai ter a oportunidade de explicar - se é que tem explicações - porque seus amigos incrustados no Poder não lhe deram ouvidos, realizando a supressão dos artigos sem que ninguém tivesse sido avisado.

O presidente vai ter a oportunidade de pedir desculpas aos deputados que votaram o projeto no dia 23 de dezembro de 2005 que adiava para o final de 2007 o pagamento de gratificações e interstícios previstos para entrarem em vigor em 2006. Na ocasião, José Reinaldo fez uma manobra rasteira e o deputado Carlos Braide colocou o projeto em votação sem que os parlamentares de oposição soubessem do que se tratava. Sem ter coragem de denunciar José Reinaldo na ocasião, Odair José espalhou cartazes pela cidade com ofensas até mesmo aos políticos de oposição.

Agora prova do próprio veneno. Vão ter que dizer aos professores que não comungam com suas atitudes facciosas em favor do governo de Jackson, porque não soube da votação da emenda e porque seus aliados tomaram a atitude de, outra vez, prejudicar a categoria em favor de seus interesses políticos mais mesquinhos.

Ele, finalmente, poderá dizer porque Aderson Lago traiu a classe e ele não fez nada para impedir.

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