Coroatá
Sistema falido
A fiscalização da Corregedoria-Geral da União (CGU) - acessível via Internet desde o último dia 29 de dezembro - desmontou o que havia se transformado numa verdadeira farsa do prefeito Luís da Amovelar (PTB): a existência de um sistema educacional de qualidade em Coroatá.

Amparado pelos discursos da deputada estadual Graça Paz (PDT) na Assembléia Legislativa, o chefe do Executivo Municipal tentava passar para o resto do estado a impressão de que, no município, a gestão educacional funcionava.
Os auditores da CGU, entretanto, mostraram a dura realidade vivida pelos alunos sob o jugo de Luís da Amovelar.
Em pouco mais de um mês, os fiscais avaliaram documentos, entrevistaram professores, alunos e funcionários da Prefeitura e, sobretudo, fizeram muitos registros fotográficos. E são as imagens o que mais chocam dentre tudo o que foi apresentado no relatório da Secretaria Federal de Controle Interno (SFC) da CGU.
As fotos mostram a verdadeira face da educação em Coroatá. São escolas que mais parecem criadouros de animais: meros galpões cobertos por tetos de palha e sem nenhum cuidado no que se refere à saúde das crianças.
Mas isso não é tudo. Segundo o relatório, a própria Prefeitura declarou à Controladoria que nada menos que 80 das 136 escolas de Coroatá (aproximadamente 60%) têm esse "estilo".
"São barracões cobertos de palhas, com apenas uma sala e sem banheiro", diz o texto produzido pelos auditores.
Incoerência
Apesar da aparente precariedade das escolas e da visível falta de higiene dos ambientes considerados salas de aula, o prefeito Luís da Amovelar declarou gastos exorbitantes com a aquisição de material de limpeza.
"A documentação de prestação de contas do FUNDEF, do exercício sob análise, demonstra que os gestores municipais teriam efetuado gastos no total de R$ 633.300,70 (seiscentos e trinta e três mil, trezentos reais e setenta centavos) apenas com material de limpeza", ressalta o relatório.
Os dados apresentados são grotescos. Luís da Amovelar declarou, por exemplo, ter adquirido, só em 2005, nada menos que 127.580 vassouras para as 136 escolas. "O que significaria distribuir, durante o exercício [de 2005], aproximadamente 938 (novecentos e trinta e oito) vassouras para cada escola do Ensino Fundamental do Município", acrescenta o texto.
Diante de tantas evidências, a constatação da equipe da CGU que esteve em Coroatá foi sumária. "Incompatibilidade entre as saídas de recursos da conta do FUNDEF e os comprovantes de gastos", concluíram os fiscais. Em outras palavras: o prefeito sacou mais dinheiro das contas do FUNDEF do que gastou de fato com a educação municipal.