No período em que esteve frente à Prefeitura de São Luís, o governador Jackson Lago adotou uma medida traiçoeira para com os feirantes da capital: retirou todo e qualquer investimento dos mercados e delegou as respectivas administrações às associações e cooperativas de trabalhadores.

Essa medida, que a princípio parecia muito inteligente, por entregar aos conhecedores dos problemas o poder e a independência para resolvê-los, com o passar do tempo se relevou de grande astúcia e esperteza.
O recolhimento dos recursos necessários à manutenção, sempre abaixo do esperado, levou os atuais gestores à completa impotência ante a necessidade de reestruturação e reformulação de alguns mercados.
É o que acontece no Mercado do Bom Jesus, no bairro de mesmo nome, gerido por uma Associação de Feirantes que tem como presidente o senhor Luís Carlos Soares. Embora conheça a fundo as necessidades de infra-estrutura do local, Luís afirma que nada pode fazer para melhorar as condições da feira, pois não há recursos disponíveis no caixa da Associação.
Ele conta ainda que a arrecadação mensal do mercado através do aluguel dos boxes é de R$ 1.100,00 em média, o que é suficiente apenas para a manutenção e pagamento dos vigilantes, zeladores e a compra de produtos de limpeza.
"A debandada de feirantes, a falta de refrigeração, a limpeza deficiente, a cobertura baixa, a falta de piso, os entupimentos dos esgotos, e os boxes e bancas sem azulejos são problemas muito sérios, mas nenhum deles é o pior. O abandono do poder público é o nosso maior problema. Sem investimento, não existe nada a fazer", afirmou.