De volta à Gávea após uma passagem sem muito brilho em 2002, Juninho Paulista vê um Flamengo diferente, mais ambicioso e amadurecido. Em entrevista exclusiva ao repórter Márcio Iannacca, o meia de 33 anos mostra que está confiante no grupo montado pelo técnico Ney Franco para a disputa Libertadores e revela: "O meu desejo era voltar para ganhar títulos"

Globoesporte.Com : Você deu uma entrevista, quando ainda atuava na Europa, que se voltasse ao Brasil seria para o São Paulo ou para o Flamengo. O Flamengo por achar que ainda devia uma boa atuação. Você acha que devia realmente algo ao Flamengo?
Juninho Paulista: Tive uma passagem rápida pelo Flamengo em 2002. O meu desejo era voltar para ganhar títulos. Espero que o astral do Flamengo continue como está e espero ajudar o time a conquistar muitos títulos. Imagino esse clube vencendo um campeonato.
Globoesporte.Com : O que achou do seu primeiro contato com o Ney Franco?
Juninho Paulista: Ele é um bom treinador, mas não deu para conhecer muito. Ele ainda não teve tempo de conversar com o grupo. Os jogadores que trabalharam com ele disseram que ele é um excelente profissional.
Internauta Fabrício Santana : Como você avalia o grupo do Flamengo na primeira fase da Libertadores?
Juninho Paulista: Na teoria, dá para passar da primeira fase sem problemas. O problema é que a teoria é diferente da prática. O Flamengo precisa fazer o dever de casa nas partidas no Rio e fazer um bom papel fora de casa.
Internauta Edi : Como o Flamengo deve jogar para superar a marcação e a pressão das equipes estrangeiras na Libertadores?
Juninho Paulista: Cada um deve fazer o seu dentro de campo. Se cada um cumprir a sua função, as chances das coisas darem certo é grande. O que não pode é cada um mudar suas funções dentro de campo.
Globoesporte.Com : Você aceitaria a condição de reserva no Flamengo?
Juninho Paulista: Nunca penso em chegar a um lugar para não jogar.
Globoesporte.Com : O que mudou no Flamengo de hoje para o Flamengo de 2002?
Juninho Paulista: Mudou um pouco. Um título traz amadurecimento e ambição para um clube. O Flamengo teve um ano razoável e conquistou a vaga na Libertadores com o título da Copa do Brasil. Todos aqui têm desejo por títulos. Naquela época, não vi tanta ambição.
Globoesporte.Com : Qual é a diferença do Flamengo que você encontrou para o Palmeiras que você deixou?
Juninho Paulista: Muitas. No Palmeiras existiam muitas brigas internas. Todos se diziam torcedores do Palmeiras, mas um queria mandar mais do que o outro. Essas brigas refletiam nos atletas dentro de campo. O Flamengo que eu encontrei parece estar mais unido. O clube está com dirigentes renomados e competentes. Isso passa confiança.
Internauta Cristiano Galvet : Você está preparado para um eventual atraso nos salários?
Juninho Paulista: Atrasos por causa do patrocinador não me preocupam muito. Deixar de receber é que é complicado. Mas confio muito nessa diretoria.
Internauta Carlos Pereira : Você é um atleta consagrado e vai jogar ao lado de atletas jovens e pouco conhecidos. Você acha que será o maior prejudicado caso ocorra um tropeço do Flamengo?
Juninho Paulista: É mais um desafio. Tem muito garoto que tem experiência. Tem atletas que chegam de times considerados pequenos e dão conta do recado. Quando eu cheguei no São Paulo, eu também era jovem e conquistei alguns títulos. As coisas aconteceram rapidamente. Essa experiência de mesclar jovens e atletas mais experientes é uma fórmula que dá certo.
Internauta Carlos Júnior : Você acha que jogará futebol de alto nível até que idade?
Juninho Paulista: Não ligo muito para essas coisas de números. Tem gente com 29 anos que não consegue mais correr ou corre menos que um atleta de 35. O importante é se cuidar.
Internauta Rosana Bastos : Qual foi a conquista mais importante da sua carreira?
Juninho Paulista: O título que mexeu comigo foi o da Supercopa de 1993, pelo São Paulo. Jogamos duas partidas contra o Flamengo. Foi importante por ter sido o primeiro. Todos os títulos foram importantes, mas esse foi especial.
Globoesporte.Com : Você já atuou por Vasco e Flamengo. Qual a diferença entre os dois clubes e as duas torcidas?
Juninho Paulista: São duas torcidas apaixonadas. O carioca é mais apaixonado pelo futebol do que o paulista. Ele vive mais o clube. No Vasco tudo foi ótimo, mas, no Flamengo, a dimensão é muito maior. Você está mais em evidência.