Boa nova
Descoberta pode acabar polêmica
Cientistas americanos divulgaram ontem a descoberta de uma nova fonte de células-tronco. De acordo com os pesquisadores, essas células foram extraídas do líquido amniótico, que preenche o útero durante a gravidez. A equipe de médicos conseguiu extrair as células-tronco com sucesso e depois cultivá-las em laboratório. A pesquisa pode ser revolucionária, pois permitiria as terapias com células-tronco sem o uso de embriões humanos.

As células-tronco têm potencial para tratar doenças graves como Parkinson, Alzheimer e diabetes, mas seu uso é combatido por vários grupos ao redor do mundo por causa da necessidade de extraí-las de embriões cultivados em laboratórios. Como os embriões precisam ser descartados no fim do processo, a técnica é vista com fortes restrições por muitos. Se levada adiante com sucesso, a nova técnica para obter as células-tronco pode resolver a questão.
Em estudo publicado na revista especializada Nature Biotechnology, a equipe responsável pela novidade, da Universidade Wake Forest, na Carolina do Norte, usou amostras de líquido amniótico retirado de mulheres grávidas para dar origem às células-tronco. O líquido tem um grande número de células, muitas delas provenientes do próprio feto em desenvolvimento. No laboratório, essas células deram origem a vários tipos de células diferentes - ou seja, funcionam como células-tronco.
Depois de experiências mais detalhadas com ratos, a teoria provou-se bastante viável. Conforme os cientistas, as células-tronco extraídas do líquido amniótico não são idênticas às células-tronco embrionárias. "Em alguns casos, porém, elas funcionam até melhor", afirma um dos participantes do estudo, Paolo De Coppi. "No entanto, a gama de aplicações para esse novo tipo de célula-tronco pode ser menor do que no caso das embrionárias", explica ele.
Caminhos
Especialistas estrangeiros receberam a novidade entre elogios e ressalvas. Para muitos pesquisadores da área, a técnica é inviável - seria difícil obter quantidade suficiente de líquido amniótico. De qualquer forma, muitos médicos comemoraram a novidade, dizendo que ela abre um novo caminho. Um dos possíveis usos futuros da técnica é o tratamento de problemas genéticos no próprio útero - as células-tronco do feto seriam extraídas, modificadas em laboratório e devolvidas ao útero, curando o bebê antes mesmo do parto.