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Polícia norte-americana prende fundadores da Renascer



Data de Publicação: 10 de janeiro de 2007
 
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Bote fé nisso!
Vão pregar na cadeia

O FBI (Federal Bureau of Investigation) - a polícia federal norte-americana - prendeu ontem o casal Estevam Hernandes Filho e Sônia Haddad Moraes Hernandes -fundadores da Igreja Apostólica Renascer em Cristo - em Miami. O casal havia embarcado para os Estados Unidos na noite de segunda-feira, em Guarulhos (SP).

Segundo o Gaeco (Grupo de Atuação de Repressão ao Crime Organizado), do Ministério Público Estadual de São Paulo, o casal também vai ser investigado nos Estados Unidos pelo crime de lavagem de dinheiro.

Além disso, Sônia e Estevam Hernandes entraram nos Estados Unidos com US$ 56 mil (em espécie), mas declararam para a alfândega que não possuíam mais do que US$ 10 mil.

Para os promotores do Gaeco, a prisão deles com o dinheiro não declarado confirma as práticas cometidas no Brasil.

Segundo eles, o Gaeco pediu a cooperação da polícia norte-americana para efetivar a prisão dos fundadores da Renascer.

Os promotores disseram não poder dar mais informações sobre o caso, pois o processo tramita no Brasil em segredo de Justiça.

Procurado pela reportagem, Luiz Flávio Borges D’Urso - advogado do casal que foi reeleito presidente da OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil) - não foi encontrado para comentar a prisão. A assessoria da Renascer informou não ter conhecimento da prisão do casal Hernandes.

A Renascer foi fundada pelo casal em 1986 e possui cerca de 1.500 templos no país.

Acusações
No final de dezembro, o casal conseguiu uma liminar no STJ (Superior Tribunal de Justiça) revogando o pedido de prisão preventiva que havia contra eles. Até então, eles eram considerados foragidos. No Brasil, Sônia e Estevam são acusados de lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e estelionato.

Reportagem publicada pela Folha no dia 25 de outubro informava que um ex-funcionário da Renascer, que se identificou como “J”, disse que o dinheiro arrecadado entre os fiéis era usado para pagar funcionários de empresas dos Hernandes. Assim, sobravam mais recursos para que as empresas do grupo comprassem bens.

Numa outra denúncia, o Ministério Público de São Paulo acusou os Hernandes e o bispo primaz Jorge Luiz Bruno de falsidade ideológica. Eles teriam montado uma igreja “laranja”, chamada Internacional Renovação Evangélica, para livrar a Renascer de processos.

Segundo a denúncia, a Igreja Internacional Renovação Evangélica, criada em 2004 por Jorge Luiz Bruno, não existe fisicamente. No endereço indicado na ata de fundação - Rua Maria Carlota, 879, na zona leste de São Paulo - funciona um templo da Renascer.

Os promotores do Gaeco (Grupo de Atuação de Repressão ao Crime Organizado) Arthur Lemos, Eder Segura, Roberto Porto e José Reinaldo Carneiro - que fizeram o pedido de prisão preventiva - não quiseram se manifestar, pois o processo está sob segredo de Justiça.

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